Uma “costura” com fio de aço maleável está substituindo com vantagens o emprego de placas de metal e parafusos no tratamento de fraturas nas mãos. A técnica, desenvolvida pelos médicos Wilson Modesto de Oliveira Júnior e Sérgio Brandi, de Sorocaba, interior de São Paulo, é considerada menos invasiva e custa dez vezes menos do que o tratamento convencional.

O procedimento, conhecido como cerclagem, foi considerado inovador durante apresentação no 1º Congresso Luso-Espanhol de Cirurgia da Mão, encerrado na última sexta-feira, em Portugal. Segundo Brandi, o fio de aço maleável já era utilizado com bons resultados em fraturas de ossos da face e da coluna. Ele conta que Oliveira Júnior, especialista em traumas de mão, teve a idéia de empregá-lo também nos casos de fraturas de falanges e metacarpos, pequenos ossos que formam a mão humana.

Nas fraturas de mão, a simples imobilização, como ocorre em outras fraturas de membros, não apresenta resultados positivos, daí a necessidade da fixação das partes a serem soldadas naturalmente. Na mesma abertura feita para fixar o pino, é colocado o fio que será amarrado na outra parte do osso lesionado. A técnica foi adotada pelo setor de ortopedia da Santa Casa de Sorocaba, onde Oliveira e Brandi atuam. O hospital atende principalmente a casos de acidentes de trabalho, envolvendo operários da construção civil e funcionários de indústrias que operam máquinas.

Nos últimos três anos, 60 pacientes foram submetidos a cirurgias com o emprego da cerclagem e o índice de resposta positiva ao tratamento foi considerado muito bom. Além do custo, que favorece o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o aspecto mais positivo é que o tratamento se torna menos invasivo. “É uma técnica mais simples, que funciona muito bem e pode ser aplicada na maioria dos casos”, diz Brandi. O implante de fio maleável, que substitui pinos e placas de metal, tem menos volume e causa danos menores aos tecidos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo .

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