Médicos cobram recursos do governo para área da saúde

Entre os pontos, categoria reivindica valorização dos profissionais e a criação de uma carreira para serviço público

AE |

Entidades médicas divulgaram hoje manifesto endereçado ao governo - e aos candidatos à Presidência - cobrando mais recursos para área de saúde e melhores condições de trabalho para categoria. O documento reivindica, por exemplo, que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) passe a fiscalizar a relação entre operadoras de saúde e médicos, principalmente no momento de fixar honorários e preços de serviços.

"Essa é uma atribuição da agência que não sabemos bem por que não é exercida", afirmou o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto D' Ávila.

D' Ávila identifica o surgimento de movimentos em vários pontos do País de profissionais que, indignados com baixos preços pagos por consultas ou terapias, organizam uma saída em grupo dos planos de saúde. "Não incentivamos o movimento, mas não temos condição de controlá-lo", disse. Há alguns meses, em Brasília, um movimento como esse foi feito entre pediatras. Depois de um período de paralisação, os profissionais conseguiram um aumento nos honorários.

O presidente do CFM argumenta que, ao longo dos últimos 10 anos, mensalidades das operadoras de saúde tiveram reajuste de 140%, enquanto honorários médicos subiram 60%. "Um médico receber até R$ 25 por consulta é insustentável", completou.

D' Ávila observou que profissionais têm adotado medidas para driblar os baixos honorários. Entre elas, cobrar um valor extra, algo que ele admite não ser adequado. "Mas precisamos de soluções".

Documento

Além de uma ANS mais atuante, o documento, assinado por CFM, Associação Médica Brasileira e Federação Nacional dos Médicos, reivindica a repressão da abertura indiscriminada de novos cursos de medicina, maior valorização dos profissionais e a criação de uma carreira médico para serviço público de saúde.

Esta última reivindicação, em parte já começa a ser atendida. Na semana passada, o Ministério da Saúde publicou uma portaria criando um grupo de trabalho para discutir a formação da carreira de Estado para profissionais do setor.

O CFM deverá participar das discussões. Uma proposta feita pela entidade - mas abrangendo apenas médicos - previa que profissionais, em início de carreira e dedicação exclusiva, recebesse R$ 15 mil. "Sabemos que esse valor o governo não vai aceitar, mas vamos apresentá-lo".

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