Médico vê aumento de violência contra moradores de rua no Distrito Federal

No fim de semana, dois moradores de rua foram queimados por três pessoas na cidade de Santa Maria; um deles morreu

AE |

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A morte do morador de rua José Edson Freitas, 26 anos, em um incêndio provocado por vândalos reacendeu o temor da violência motivada por preconceito no Distrito Federal (DF), onde em 1997 um grupo de jovens da classe média alta queimou o índio pataxó Galdino José dos Santos em um ponto de ônibus.

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O médico Paulo Feitosa, diretor do Hospital Regional da Asa Norte, instituição que atendeu Freitas, disse, sem precisar, que o número de atendimentos a pessoas queimadas nas noites da capital é alarmante. Ele, no entanto, observou que a vida noturna da capital passou por mudanças significativas nos últimos 15 anos e o problema do crack e outras drogas ilícitas se juntou ao preconceito para fazer vítimas nas ruas.

"Não é só a violência motivada por preconceito que nos preocupa", afirma o médico, responsável pelo principal hospital da rede pública do Centro-Oeste que cuida de queimados. Ele observa, pela prática diária, que os moradores de rua atendidos no hospital sofreram agressões provocadas pelo problema das drogas. "A violência é o acerto do não pagamento", observa.

Na noite de sábado para domingo, José Edson Freitas e um colega Paulo César Maia, 42 anos, tiveram os corpos encharcados com um líquido inflamável por um grupo de três pessoas, aparentemente adolescentes, numa via pública de Santa Maria, cidade a 26 quilômetros do Plano Piloto. Freitas teve 63% do corpo atingido pelo fogo e morreu no início da tarde de domingo (26).

Paulo César, que está internado, sofreu queimaduras no braço esquerdo, nas duas pernas, no rosto e no órgão genital. Ele ainda corre risco de morrer, segundo nota divulgada pelo hospital. Em um segundo momento, Maia terá de passar por uma série de cirurgias plásticas.

Freitas e Maia moravam com parentes em quadras residenciais de Santa Maria. Na tarde de hoje, ex-vizinhos disseram que os dois sofriam o problema do alcoolismo, se desligaram das famílias e passaram a viver, há alguns meses, nas ruas da cidade. Até o início da noite desta segunda-feira, os investigadores da 33ª Delegacia de Polícia, em Santa Maria, ainda não tinham divulgado os nomes dos agressores.

Os agentes disseram que o ato, aparentemente, era mesmo de "vandalismo bárbaro", provocado por jovens que não teriam relações com as vítimas. Eles, porém, ressaltaram, que as agressões entre os próprios moradores de rua e brigas provocadas por consumo e compra de drogas são os principais motivos dos crimes nas noites das cidades do Distrito Federal. No ano passado, a polícia de Brasília chegou a deter cerca de quatro mil pessoas envolvidas com o crack, uma droga que chegou às ruas da capital em meados de 2007.

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