Você entra no consultório e a primeira ação do médico é pedir seu mapa genético. Com ele em mãos, indica o medicamento mais eficaz para tratar sua doença.

Ou, com as informações contidas no seu DNA, sugere tratamentos preventivos e a adoção de um estilo de vida que evitem problemas aos quais você tem predisposição. Bem-vindo ao mundo da medicina personalizada - o método no qual diagnósticos e tratamentos são adaptados à genética de cada um.

Para alguns, realidade próxima; para outros, sonho distante. O fato é que a medicina genética avança a um ponto em que, segundo os estudiosos, vai permitir um conhecimento tão profundo de cada pessoa que o médico vai saber de coisas que hoje só se acerta por probabilidade. “A medicina personalizada veio para ficar”, diz Fernanda Teresa de Lima, geneticista do Hospital Albert Einstein. “Com ela, pode-se pensar em melhor prevenção, tratamento e desenvolvimento de novos medicamentos.”

Até o fim do mês, o Hospital Albert Einstein põe para funcionar um dos mais modernos sequenciadores genéticos do País, o Solid 3dx. O equipamento tem capacidade para mapear o DNA de um ser humano - que tem 3,3 bilhões de pares de bases - em 20 horas. Por enquanto, só será usado para pesquisas científicas (como para estudos de câncer e doenças como Parkinson e Alzheimer). Mas está se aproximando em boa velocidade o dia em que essa moderna ferramenta estará disponível aos médicos para o atendimento aos pacientes.

Luiz Vicente Rizzo, superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa do Einstein, acredita que em cinco anos a medicina personalizada poderá ser usada de forma confiável pelos médicos, ao contrário do que ocorre hoje. “Levamos anos para conhecer 10% das informações necessárias”, diz. “Mas os 90% restantes serão conhecidos em dez vezes menos tempo.”

Segundo Rizzo, o “X” da questão é justamente saber o que fazer com as informações contidas no código genético. Quais são elas? Saber o que as bilhões de combinações de quatro letrinhas que formam o DNA (A, T, C e G) podem passar sobre nosso corpo e nossa saúde. “É preciso saber dar ordem a essas informações”, diz Rizzo. As informações são do Jornal da Tarde.

AE

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