Medicina e turismo em um só pacote

Medicina e turismo em um só pacote Por Fernanda Aranda São Paulo, 05 (AE) - Os negócios, os restaurantes e os eventos ganharam um aliado de peso para atrair estrangeiros a São Paulo. A medicina entrou de vez na rota dos turistas e, só no último ano, os hospitais privados com tratamentos de ponta na capital paulista registraram aumento de até 80% no volume de atendimento de pacientes internacionais.

Agência Estado |

Se antes apenas a cirurgia plástica "made in Brazil" estava na vitrine de procedimentos atrativos, agora a oncologia, a ortopedia, a odontologia e a cardiologia dividem espaço nos tratamentos solicitados pelos gringos. O setor ganhou tanta força que o próprio governo federal organizou o chamado "Turismo Médico". Na Capital, são quatro hospitais credenciados para receber os pacientes de fora do País: Sírio-Libanês, Albert Einstein, Samaritano e Hospital do Coração (HCor), todos certificados por organizações internacionais.

Norte-americanos, alemães, franceses, angolanos e até dinamarqueses são alguns dos estrangeiros que escolheram os hospitais daqui como destino para tratar a saúde. No Sírio-Libanês, que registrou escalada de 62% de pacientes internacionais atendidos entre 2007 e 2008, foi investido R$ 1,6 milhão em cursos de idiomas para 600 funcionários atenderem melhor a clientela.

"Fechamos o ano passado com 1.500 pacientes internacionais atendidos. Em 2006, tínhamos parceria com quatro operadoras de saúde internacionais. Hoje são 37", comemora Deise de Almeida, superintendente comercial e de marketing do Sírio. Para dar conta do aumento de demanda, a unidade deve inaugurar, em fevereiro, uma sala exclusiva para recepcionar os estrangeiros e ampliar o programa já existente de telemedicina para que o corpo clínico brasileiro troque informações com os médicos internacionais, além de ampliar os pacotes que já definem tempo de permanência e exames realizados.

A receita de sucesso para atração dos estrangeiros é explicada por Paulo Ishibashi, diretor comercial do Einstein, que no ano passado atendeu 3.500 estrangeiros, 12% a mais do que em 2007. Resume-se a dois ingredientes: preço e qualidade. "Fizemos um mapeamento recente e as motivações variam de acordo com a região de origem. Enquanto nos Estados Unidos a maior parte dos procedimentos não é coberta pelas operadoras de saúde, na Europa e no Canadá o problema são as longas filas do sistema público de saúde", diz Ishibashi. "O câmbio favorece, já que pagar em real é bem mais vantajoso do que em dólar."

O Ministério do Turismo informa que definiu o "Turismo de Saúde" como segmento constituído na pasta. A consultora Suselaine Martinelli, especialista na área, afirma que existem dois eixos principais nesse tipo de negócio: um focado na cura e no tratamento e o outro no atendimento ao segmento de estética e bem-estar. Este subtipo, em especial, reúne os turistas que vêm ao Brasil para o carnaval carioca, por exemplo, e aproveitam para realizar procedimentos na Capital. A São Paulo Turismo (SPTuris), empresa municipal que regulamenta o setor, também já percebeu o potencial.

Enquete feita com estrangeiros no ano passado mostrou que um em cada cinco vem a São Paulo por causa da saúde. O órgão lançou manual específico sobre todos os serviços médicos de ponta da capital. Mas o tipo "conheça as praias do litoral paulistano e faça uma bateria de exames na capital" não é o perfil recorrente nos quatro hospitais de São Paulo credenciados. O termo turista em saúde, inclusive, é rejeitado pelos médicos. No HCor, onde os 84 pacientes estrangeiros recebidos em 2008 configuram aumento de 83% em um ano, a motivação é a chance de sobrevivência, já que as cirurgias cardíacas são os procedimentos mais procurados, informa a gerente da área Fernanda Crema.

Tratamentos cardiológicos também ajudaram a impulsionar em 70% os atendimentos internacionais no Hospital Samaritano.

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