Londres, 14 dez (EFE).- Paul McCartney revela que não foi John Lennon, mas ele mesmo, o responsável de politizar os Beatles e de fazê-los ver que a Guerra do Vietnã era um erro.

Em entrevista que sairá em janeiro na revista "Prospect", McCartney, de 66 anos, muda totalmente o que se sabia até agora sobre o interesse do grupo musical pelo conflito bélico e a idéia de que o mais politizado era Lennon.

Segundo o ex-beatle, foi ele que convenceu Lennon a se opor à Guerra do Vietnã em 1968, quando a banda de Liverpool gravou a música "Revolution".

McCartney afirma que começou a se dar conta do conflito por causa de uma reunião que teve em Londres com Bertrand Russell (1872-70), escritor, filósofo, matemático e pacifista britânico que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1950.

Russell "era fabuloso. Falou da Guerra do Vietnã, a maioria de nós não sabia sobre isso, ainda não estava nos jornais, e também (me disse) que era uma guerra muito ruim", disse McCartney em sua entrevista, antecipada hoje pelo jornal "The Sunday Times".

"Lembro-me de ir outra vez ao estúdio (de gravação), naquela tarde ou no dia seguinte, e falar aos meninos, particularmente a John Lennon, sobre esta reunião e dizer como esta guerra era ruim", ressaltou McCartney.

Segundo ele, o grupo ignorou os pedidos de seus representantes para que evitassem mencionar o Vietnã quando estivessem nos Estados Unidos.

"Certamente, falamos disso o tempo todo, e dissemos que era uma guerra muito ruim. Obviamente, apoiamos o movimento pacifista", disse.

Se foi McCartney quem politizou os Beatles, foi John Lennon quem manifestou abertamente sua opinião através da música "Revolution" e o que gravou mais hinos pacifistas, como "Give Peace a Chance", ressalta o dominical britânico.

Além disso, McCartney disse que está convencido de que a música pode mudar as coisas, já que as pessoas ouvem o que dizem os músicos famosos, como o caso de Bob Geldof e Bono, que trabalham contra a fome na África.

No entanro, a opinião de McCartney contrasta com a de alguns especialistas nos Beatles, indica o "Sunday Times".

Alan Clayson, autor de biografias dos Beatles, acha que McCartney está voltando a escrever a história, "agora que Lennon não está".

Spencer Leigh, que escreveu a história do clube Cavern, onde os Beatles começaram em Liverpool, disse que "tanto Paul quanto John estavam interessados no que acontecia a seu redor, mas, se Paul politizou John, não tenho certeza".

Tariq Ali, um dos líderes do movimento britânico contra a guerra, admitiu que a afirmação de McCartney é nova, pois, naquela época, não se sabia qual era a opinião dele sobre o Vietnã.

"Foi John Lennon que estava preocupado com a guerra. Ele nunca mencionou McCartney e nunca pensei em pedir (ao segundo) que se unisse a nós", acrescentou Ali. EFE vg/an

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