Grupo tinha planos para assassinar magistrados que atuavam em casos dos seus membros

Uma quadrilha que pretendia assassinar juízes federais em Mato Grosso do sul foi desarticulada pelo Ministério Público Federal, em parceria com a Polícia Federal. Recolhido no presídio militar desde julho do ano passado, quando foi preso por tráfico de drogas, o bombeiro Ales Marques era o mentor do plano. A intenção era executar os magistrados que atuam nos processos em que ele é acusado de comandar uma quadrilha de tráfico internacional de drogas, formada por outras 17 pessoas.

O Ministério Público Federal pediu à Justiça a transferência do bombeiro para alguma penitenciária federal de segurança máxima e não deu mais detalhes da investigação, pois ela ainda continua. A qualquer momento novas prisões ou transferências podem ser feitas.

No presídio militar, Ales gozava de certas liberdades, como falar ao telefone celular e sair do local. Numa dessas saídas, em 14 de janeiro deste ano, na companhia de um capitão e mais dois policiais militares, partiu para uma missão a uma chácara de Campo Grande. O bombeiro - sem algemas ou qualquer identificação da sua condição - e os policiais ingressaram no imóvel, contra a vontade do ocupante e sem mandado judicial, onde passaram a fazer buscas, sem especificar o que procuravam.

O fato foi confirmado pela Polícia Federal (PF), que obteve vídeos da ação e colheu dados que reforçaram as suspeitas da existência de planos do bombeiro para executar os juízes, além de um esquema de corrupção envolvendo a chefia da escolta de detentos do Presídio Militar de Campo Grande.

A Procuradoria em Mato Grosso do Sul pediu à Polícia Federal providências para que a segurança dos juízes seja mantida. O nome e a quantidade de magistrados que estariam sendo ameaçados de morte não foram revelados.

Histórico

Ales Marques foi preso em flagrante em julho de 2010 e teve a prisão preventiva decretada em outubro de 2010, durante a operação Maré Alta. O Ministério Público Federal denunciou 18 pessoas da quadrilha, inclusive a ex-mulher e os filhos do militar, que também estão presos. Com a quadrilha foram apreendidos quase 80 quilos de cocaína.

Conforme a denúncia, o grupo atuava com foco no abastecimento, em larga escala, a mercados consumidores de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A cocaína, vinda do Paraguai, chegava no Brasil pela fronteira seca entre Pedro Juan Caballero e Ponta Porã. Lá, a droga era escondida em veículos e seguia para o destino.

O bombeiro responde a duas ações penais, por tráfico e associação para o tráfico transnacional e interestadual de drogas, bem como tráfico internacional de arma de fogo. Os processos correm na Justiça Federal de Ponta Porã.

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