Material recolhido no oceano não é de Airbus, diz FAB

Por Fernando Exman RECIFE (Reuters) - O material recolhido no oceano por um helicóptero da Marinha nesta quinta-feira --quarto dia de buscas por um Airbus A330 da Air France-- não pertence à aeronave que fazia a rota Rio de Janeiro-Paris e desapareceu sobre o mar com 228 pessoas a bordo no domingo.

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"Até o momento nenhum pedaço de aeronave foi recolhido", disse a jornalistas o brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da FAB.

No início da tarde a Força Aérea Brasileira havia informado em nota que um helicóptero embarcado numa fragata da Marinha retirou do oceano um suporte utilizado para acomodação de cargas em aviões --conhecido como pallet-- e duas boias.

"Confirmamos que o pallet que foi encontrado não fazia parte dos destroços da aeronave", disse o militar, explicando que os pallets que estavam no Airbus que desapareceu eram de metal, enquanto os encontrados nesta quinta eram de madeira.

Nessa mesma região, a 550 quilômetros de Fernando de Noronha, também foi encontrada uma mancha de óleo que, segundo o brigadeiro, provavelmente não é do Airbus da Air France.

"A quantidade é muito pequena e não dá para fazer uma análise desse óleo dizendo se é dos destroços ou parte da aeronave. A maior probabilidade é que é óleo de navio, não é óleo de avião", disse o militar.

Aviões da FAB já avistaram outros materiais --como poltrona e um pedaço que seria do bagageiro da aeronave desaparecida-- mas eles ainda não foram recolhidos porque a prioridade das equipes de resgate era a busca por sobreviventes. A partir de sexta-feira, segundo a FAB, o recolhimento de materiais será intensificado.

Mais cedo, o brigadeiro havia explicado como foi montada a operação de busca pelos destroços do Airbus e por eventuais sobreviventes, embora ele tenha admitido que as chances de encontrar alguém com vida sejam pequenas.

"Não tivemos nenhuma informação de nenhuma das aeronaves de ter avistado qualquer corpo ou qualquer sobrevivente, então fica mais difícil a cada momento que possa haver algum sobrevivente do acidente", disse o brigadeiro.

"Se houver corpos, para-se tudo e traz para cá. A logística para fazer isso já está montada em Fernando de Noronha para receber os corpos e trazer para Recife", afirmou ele, acrescentando que não há uma data prevista para terminar a operação de busca, que seguirá durante a madrugada.

MINISTRO FRANCÊS VISITA PARENTES

No Rio de Janeiro, parentes das vítimas do acidente com o voo AF 447 receberam a visita do ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, que negou que as autoridades estejam sonegando informações aos parentes das vítimas.

"Elas (as famílias) se queixaram realmente, mas não posso inventar informações. Elas (as informações) são feitas à medida que o inquérito vai evoluindo", disse o ministro.

As declarações dele, no entanto, não foram o bastante para convencer alguns familiares.

"O que nós queremos é mais transparência e tenho certeza que eles têm muito mais informações sobre o que aconteceu, mas não sei por que motivo não querem divulgar", disse Nelson Faria Marinho, pai de uma das vítimas.

No Recife, o brigadeiro Borges Cardoso disse que as famílias foram convidadas a ir à capital pernambucana na sexta-feira para "conhecer como está sendo feito o trabalho de busca e terem uma noção das dificuldades inerentes a esse trabalho".

A ideia é receber um representante por família e, de acordo com o brigadeiro, não será feito sobrevoo sobre a área de busca. Ele disse não saber se os familiares aceitaram o convite.

Citando fontes próximas à investigação do acidente, o jornal francês Le Monde afirmou nesta quinta-feira que o avião viajava a um velocidade incorreta antes da queda.

O jornal espanhol El Mundo informou que um piloto teria visto um clarão sobre o Atlântico na mesma hora em que o voo AF 447 da Air France sumiu.

De acordo com a agência francesa responsável pela investigação, o desastre pode permanecer um mistério, já que são remotas as chances de se encontrar as caixas-pretas no fundo do mar.

Na quarta-feira, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse a jornalistas que o avião estava em uma área sem cobertura de radar no momento em que desapareceu, o que torna impossível saber agora qual era sua velocidade.

O vice-diretor da Air France, Jean Claude Cros, que também se encontrou com parentes das vítimas, disse a jornalistas que a companhia não tem conhecimento de uma nota técnica da Agência Europeia de Segurança de Aviação de que os modelos A330 e A340 poderiam apresentar problemas em condições climáticas adversas.

"Garantimos a viabilidade do avião. Se não fosse viável, tenho certeza que nenhuma tripulação aceitaria voar no avião", declarou ele.

As operações de busca continuam durante a noite de quinta e a madrugada de sexta-feira com um avião R-99 da FAB. Pela manhã três aeronaves Hércules, da Força Aérea, e uma P-3, dos EUA, também partirão para a região.

A Marinha está com três embarcações no local e mais dois a caminho. Também se dirigem à região dois aviões e dois navios da França.

O voo AF 447 tinha 216 passageiros de 32 nacionalidades, incluindo sete crianças e um bebê. Segundo a Air France, 61 eram franceses, 58 brasileiros e 26 alemães. Dos 12 tripulantes, um era brasileiro e os demais franceses.

(Reportagem adicional de Pedro Fonseca e Rodrigo Viga Gaier no Rio de Janeiro)

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