Marta e Kassab fazem o debate mais acirrado

SÃO PAULO - A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, estreou no primeiro debate do segundo turno sua estratégia de mostrar contradições entre o que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) promete e sua gestão. A petista valeu-se de dois vetos do prefeito a projetos que depois se transformaram em propostas de governo. O primeiro projeto foi o dos cursos profissionalizantes que teria sido vetado em 2006 e agora foi incluído como proposta eleitoral.

Valor Online |

Kassab explicou que o curso profissionalizante dependia de parceria com o Estado e que agora essa parceria havia se viabilizado. Na tréplica, a candidata petista, leu o veto: " O projeto aprovado não encontra razões para prosperar " e provocou: com esse país bombando do jeito que está, as pessoas precisam se preparar. Explique-se " , disse Marta em tom desafiante.

O segundo veto foi o do projeto que criava a licença maternidade de seis meses para o funcionalismo público municipal. Também leu o veto na TV e acabou aplaudida pela platéia.

Kassab saiu da defensiva acusando a gestão Marta Suplicy de ter deixado a prefeitura falida, com uma dívida superior a R$ 2 bilhões. Marta voltou ao ataque dizendo que deixou a prefeitura melhor do que recebeu da gestão Celso Pitta, da qual Kassab foi secretário do Planejamento. Disse que não tinha problema em mostrar suas companhias. " Estou com Lula. Ele está com Maluf e Pitta. "
Desta vez, Kassab respondeu. Disse que Maluf já estivera com Marta quatro anos atrás e que hoje faz parte da base de apoio do governo Lula. Ele disse que agora está na companhia do governador José Serra e que, a exemplo de 4 milhões de eleitores, equivocou-se e agora se arrepende de ter estado ao lado de Pitta. E questionou o estado em que a Marta afirma ter encontrado a prefeitura. " Se a cidade estava tão quebrada assim porque você fez túneis para atender à população dos Jardins? " . Foi aplaudido.

Kassab reiteradamente citou a cifra de investimento de 2007, R$ 3,2 bilhões, uma cifra que seria três vezes superior ao investido na gestão petista. Marta Suplicy disse que se ele pôde investir mais o mérito não seria dele mas do presidente da República, que fez o país crescer e possibilitou o aumento na arrecadação da prefeitura. Citou a cifra de R$ 10 bilhões a mais na atual receita que tem sido utilizada ao longo da campanha.

Ao citar, pela terceira vez, a relação de Kassab com a Câmara Municipal, Marta acabou sendo acusada de mentirosa pelo prefeito. Referia-se ao projeto que cria o pedágio urbano que havia sido enviado pela administração Kassab. " Esse pedágio urbano não vai dar certo. Ele onera as pessoas mais pobres. Foi implantado em Londres e não deu certo " , disse. Kassab disse que havia sido um equívoco e que, no dia seguinte, havia enviado um novo projeto sem o referido artigo. Marta retrucou dizendo que o pedágio urbano estava lá e foi contestada.

Outro ponto de contenda foi a criação da internet gratuita na cidade. Kassab questionou a proposta como prioritária e disse que a proposta custaria R$ 2,2 bilhões, verba que seria melhor utilizada na saúde. Marta disse que não haveria custo extraordinário. Afirmou que custaria R$ 64 milhões mas que, se houvesse custo extraordinário, também faria. Mas se fosse um custo extraordinário, faria assim mesmo.

" É um factóide igual ao CEU Saúde que ela prometeu na última campanha " , disse Kassab. " Não é factóide. Não fiz o CEU Saúde porque não fui reeleita " , retrucou.

Ao ser chamado de mentiroso, Kassab teve um pedido de resposta atendido pelo setor jurídico da emissora. Marta revidou com o mesmo pedido por também ter sido chamada de mentirosa mas teve seu pedido negado. Nesse momento, Kassab dirigiu-se aos telespectadores dizendo que aquela troca de acusações era um desrespeito ao eleitor.

(Caio Junqueira | Valor Econômico)

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