A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, repudiou as acusações do governador do Estado, José Serra (PSDB), de que o conflito de ontem entre policiais civis, em greve, e a Polícia Militar teria motivações políticas. É uma incapacidade, uma intransigência por parte de quem governa, atacou.

"Querer culpar um partido político por uma incapacidade de negociação, eu não esperava essa postura do governador."

A candidata fez essas afirmações após encontrar-se com sindicatos de taxistas no bairro da Vila Mariana, na zona sul da capital. Ela destacou que a campanha de negociação salarial dos policiais civis já dura vários meses e frisou por diversas vezes a acusação de "incapacidade de negociação".

José Serra acusou ontem o PT, a Força Sindical e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de estarem envolvidos no confronto entre policiais que eclodiu na tarde de ontem perto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. "Querer colocar isso nas costas da CUT e da Força Sindical, ninguém merece", atacou a petista, que avaliou o episódio como "uma tragédia".

"Agora nós estamos na véspera de uma eleição. Eu fico pasma de o governador fazer insinuações deste porte. É muito sério o que ele fez", disse. "Pessoas ligadas à CUT e à Força Sindical estarem presentes no momento da sua negociação salarial me parece, o mínimo, que uma pessoa que entende de democracia, de negociação, possa saber que deveria estar acontecendo."

O tom do candidato a vice em sua chapa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) foi mais forte. "O governador José Serra fez ontem o mesmo discurso de que foi vítima quando era líder estudantil", atacou. Entretanto, ele evitou afirmar que fazia uma comparação com o discurso do governo militar. "O Serra foi muito injusto e não honrou a tradição dele de militante que já fez inúmeras passeatas na rua", criticou, e arrematou: "Ele perdeu o rumo."

Mudança na agenda

Marta cancelou nesta manhã quatro eventos em sua agenda de campanha, trocando-os por uma gravação para o horário eleitoral gratuito. Estavam previstas visitas aos bairros da Freguesia do Ó, Brasilândia e Casa Verde, na zona norte. Entretanto, ela evitou comentar se o confronto entre os policiais de ontem irá entrar sem seus programas. "Foi uma regravação", limitou-se a dizer. "Se (o confronto) entrou ou não, isso é uma outra situação."

Já o coordenador de campanha da petista, deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), negou que a mudança de planos desta manhã tivesse como objetivo incluir o episódio na propaganda e afirmou que isso não deve acontecer. "A campanha é a campanha. Esse caso que houve ontem foi um problema de negociação salarial malconduzida pelo governo do Estado. São problemas diferentes", avaliou.

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