SÃO PAULO - Recém-saída do PT e provável candidata à sucessão presidencial, a senadora Marina Silva (PV-AC) reconheceu méritos no plano real empreendido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e que não passa de retórica a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que tudo começou em seu governo, por ele ter preservado o real. Se vencer as eleições do ano que vem, ela adianta que vai manter os princípios básicos da economia. A estabilidade econômica e o equilíbrio fiscal vão continuar, disse.

A senadora Marina Silva é entrevistada durante gravação do programa
Senadora Marina Silva durante entrevista no "Roda Viva", da TV Cultura / AE



Para a senadora, "com o plano real se começou o processo que continuou com o presidente Lula. Lula preservou o plano real e aprofundou com distribuição de renda e política social altamente relevante", declarou ela a jornalistas após participar de entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira.

Marina Silva, que nem bem deixou o PT após 30 anos de militância e ingressou no PV, sigla pela qual deve disputar a Presidência, já ensaia críticas ao presidente Lula.

"É retórica (Lula dizer que tudo começou com ele). Mas o próprio presidente Lula reconhece que há um processo histórico cumulativo. Ele nunca tem uma visão niilista, de que ele inventou essa roda, ele sabe disso", declarou, após reconhecer mais uma vez que deixou o ministério do Meio Ambiente em 2008 por ausência de apoio dentro do governo.

Ao defender uma política sustentável de desenvolvimento, sua principal bandeira em uma provável campanha eleitoral, ela afirmou que "moeda estável e ganhos sociais não significam o fim da história."

Quanto à questão da presença do Estado na economia, exemplificou com a participação de políticas estatais durante a crise financeira mundial que completou um ano neste mês. "A desmistificação da intervenção estatal a crise já fez. O Estado teve que interferir", resumiu.

No último fim de semana, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), candidata do presidente Lula à sua sucessão, criticou o Estado mínimo, defendendo o nacionalismo.

Religiosa, Marina procurou fugir de temas polêmicos como a questão da legalização do aborto, deixando o debate do tema para a sociedade e o Congresso. "Advogo que tenha que haver esta discussão. O Congresso deve decidir em debate com a sociedade. Não deve ser do Executivo a decisão."

Já em relação à implantação de novas usinas de energia nuclear, foi taxativa: "Tenho posição contrária. O Brasil não tem essa necessidade, porque é uma energia cara que não é segura", afirmou, defendendo a energia hídrica.

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