BRASÍLIA - A senadora Marina Silva falou, nesta quinta-feira, pela primeira vez sobre a sua saída do Ministério do Meio Ambiente. Em entrevista coletiva, realizada em Brasília, Marina destacou que sua saída neste momento do ministério fortalece a agenda ambiental. Percebemos que havia uma estagnação e agora cria-se um novo processo, com um novo ministro.

"Não senti que tivesse mais condições necessárias dentro do governo para avançar na agenda. Eu saí pela porta da frente", afirmou a senadora, dizendo ainda estar 

"tranqüila" com relação à decisão tomada. "Quando as pedras não se movem você precisa fazer algo para mover as pedras", afirmou sobre a sua saída. "Não posso dizer que não é doloroso, mas estou tranqüila quanto à minha decisão".

A senadora elogiou seu sucessor, o atual secretário de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc, a quem chamou de "um amigo", e aproveitou para reforçar que é preciso manter a agenda. "É fundamental que possamos preservar os avanços, é fundamental que não tenhamos retrocessos", disse.

Ela afirmou que "a escolha de Minc qualifica o processo". "Ele é uma pessoa comprometida com a agenda (ambiental) e qualificada para dar contribuições ao nosso País", completou, brincado que conhece o "Minc desde o tempo que ele ainda tinha cabelo". "Acho que ele corre o risco de perder um pouco mais".

A senadora disse ainda ter ficado feliz com a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a política ambiental não vai mudar.

Durante a coletiva, a ex-ministra também destacou que não foi consultada sobre a indicação do ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, para gestor do Plano da Amazônia Sustentável (PAS). Nos bastidores, comenta-se que esse foi um dos fatores que levou a ministra a pedir demissão. Marina, entretanto, não confirmou isso. "Não posso dizer que meu gesto foi em função do Mangabeira. Não é uma questão pessoal", disse ela.

A senadora pediu demissão do Ministério do Meio Ambiente na terça-feira. Em sua carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina disse que sua decisão foi tomada por causa das dificuldades que vinha enfrentado para dar prosseguimneto à agenda ambiental.

Saiba mais sobre Marina Silva

-- Marina nasceu no Acre, em 1958, e trabalhou como empregada doméstica e seringueira, antes de conseguir um diploma universitário.

-- Em 1984, ela fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre. Chico Mendes foi o primeiro coordenador da entidade e Marina, a vice-coordenadora.

-- Com Chico Mendes, organizou manifestações pacíficas contra a expulsão das comunidades locais por fazendeiros e madeireiros. Chico Mendes foi morto em 1988, e seu assassinato atraiu atenção mundial à destruição da floresta amazônica.

-- Em 1994, Marina foi eleita pela primeira vez para o Senado. Foi a senadora mais jovem da história da República brasileira e a mais votada de seu Estado. Em 2002, foi reeleita com uma votação quase três vezes maior que a anterior.

-- Em 2003, escolhida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passou a liderar o Ministério do Meio Ambiente. Na reeleição do presidente Lula, em 2006, permaneceu na pasta.

-- Marina entrou em conflito com outras áreas do governo por projetos de infra-estrutura na floresta amazônica. Seu ministério se enfraqueceu politicamente no começo de 2007, quando Lula dividiu o Ibama para apressar a aprovação de projetos de energia.

-- Problemas de saúde, incluindo doenças tropicais e envenenamento por metais deixaram Marina hospitalizada por longos períodos. 

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