Marina questiona meta do governo para emissões

A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV à Presidência da República, levantou suspeitas quanto ao cumprimento da meta voluntária do governo de reduzir até 2020 de 36,1% a 38,9% a emissão de gases de efeito estufa. A meta será apresentada à Conferência das Nações Unidas para o Clima (COP-15), em Copenhague, programada para o mês que vem.

Agência Estado |

Marina, que participou hoje de um debate na Câmara dos Deputados sobre o aquecimento global, insinuou que a meta estabelecida pelo Brasil pode estar ligada à disputa eleitoral do ano que vem.

"A meta não pode ser protocolar, só para aproveitar a conjuntura política em que esse assunto possa render algum tipo de visibilidade para as lideranças políticas", disse a senadora, numa crítica indireta ao governo e à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, virtual candidata do PT à Presidência. Marina foi ministra do Meio Ambiente de janeiro de 2003 a maio de 2008. Saiu porque, segundo ela, estava desprestigiada no governo, o que acabaria por comprometer a política de proteção ao meio ambiente. Para que a meta seja de fato cumprida, Marina acredita que o Congresso tem de aprovar uma lei fixando-a dentro dos porcentuais do governo.

O gesto de Marina acabou dando certo, principalmente porque ela se propôs a disputar a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Hoje, todos os pré-candidatos estão envolvidos com o tema do meio ambiente e Dilma Rousseff será a chefe da delegação do Brasil na COP-15. A preocupação do governo em neutralizar Marina é tamanha que na última semana coube à ministra Dilma anunciar o menor índice de desmatamento da Amazônia nos últimos 21 anos, e não ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.

Marina criticou o governo também por não ter atualizado o inventário das emissões de dióxido de carbono (CO2). O inventário do Brasil é de 15 anos atrás, lembrou a ex-ministra. Por esse inventário do Ministério de Ciência e Tecnologia, a população brasileira ainda é de 157,29 milhões de pessoas (hoje são cerca de 190 milhões) e o País emite 8,2 toneladas anuais de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por habitante, num total de 1,29 bilhão de toneladas. As emissões pelo uso de energia correspondiam, em 1994, a 19% do total, ou 244,93 milhões de toneladas de gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global. O Ministério de Ciência e Tecnologia informou que o Brasil deverá concluir um novo inventário de emissão de CO2 em 2011.

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