A senadora e virtual candidata do PV à Presidência, Marina Silva (AC), disse hoje que soube, por interlocutores comuns, que há um certo desconforto por parte do presidente do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias, em permanecer no cargo. Ontem, dois importantes funcionários do Ibama, incluindo o diretor de licenciamento, Sebastião Custódio Pires, deixaram o cargo, segundo fontes, devido às pressões do governo para que órgão ambiental libere logo a licença para o projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA).

"Acho muito grave que um empreendimento dessa magnitude esteja sofrendo pressões e, pelo que tudo indica, pressão política. Ao ponto de o diretor (de licenciamento) estar se demitindo e o presidente do Ibama, me parece, está muito desconfortável em continuar no cargo caso a pressão continue", disse durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos do Senado para discutir o projeto.

Ao deixar a sessão, Marina disse que não conversou com Messias e que soube desse desconforto através de outras pessoas. Messias foi diretor de licenciamento do Ibama na época em que ela ocupou o cargo de ministra do Meio Ambiente.

A senadora evitou cravar uma posição contra ou a favor da usina, mas disse que, em sua opinião, alguns estudos necessários, como um plano de desenvolvimento de toda a área de abrangência do projeto, não estão sendo feitos. "É um empreendimento complexo que exige uma avaliação integrada, inclusive com um plano de desenvolvimento para a área de abrangência. Você não pode fazer o licenciamento circunscrito. Tem de ver todo o entorno e isso não foi feito", disse.

A audiência no Senado começou por volta das 9 horas, mas teve a presença de poucos senadores. Apesar disso, está sendo marcada pela presença de dezenas de índios e representantes de organizações não-governamentais que são contrárias à usina. Durante os debates, eles interromperam a sessão por diversas vezes com palavras de ordem e músicas com letras contrárias à usina. Eles também se queixam de que a Fundação Nacional do Índio (Funai) não organizou reuniões na região para ouvir as comunidades.

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