Marina foi pressionada pelo agronegócio, diz Greenpeace

SÃO PAULO - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, entregou a carta de demissão pressionada por setores do agronegócio, governadores e políticos da bancada ruralista. A avaliação é do Greenpeace, que divulgou nota comentando a saída de Marina.

Agência Estado |


"Com sua saída, a ala do crescimento a qualquer preço, capitaneada pela ministra Dilma Roussef (Casa Civil), venceu o cabo-de-guerra contra aqueles que buscavam conciliar desenvolvimento com sustentabilidade", afirmou o diretor da campanha de Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario.

De acordo com a instituição, a ministra não suportou as pressões para que fossem revistas medidas de combate ao desmatamento, anunciadas recentemente pelo governo, como a determinação para que os bancos (oficiais e privados) só concedessem créditos a proprietários de terras que não desmatassem e regularizassem as terras no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

"Políticos da região amazônica, como o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e pesos pesados do agronegócio vinham exigindo do governo uma posição mais favorável ao setor", afirmou o Greenpeace. "O governo Lula já vinha dando vários sinais de que, para ele, a agenda ambiental era uma pedra no sapato", declarou o diretor de campanhas da entidade, Marcelo Furtado.

Segundo Furtado, a liberação dos transgênicos no País e a retomada do programa nuclear brasileiro com o anúncio da construção de Angra 3 e outras quatro usinas nucleares no nordeste são apenas algumas ações que demonstraram o compromisso do governo com o desenvolvimento "a qualquer custo" e não com a sustentabilidade.

Angela Merkel

A organização ressaltou ainda que a saída de Marina acontece um dia antes da chegada da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, ao Brasil. A Alemanha é a atual sede da Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a biodiversidade, que nasceu no Rio, na Eco-92 e tem como atual presidente Marina.

Marina passaria o cargo para o ministro alemão de Meio Ambiente durante uma solenidade muito aguardada por Angela Merkel. Segundo Adario, "o Brasil que Merkel verá durante sua visita é diferente do país que existia antes de ela sair da Alemanha". "Aquele Brasil não existe mais", disse. Ele completou: "Marina sai e leva essa roupa de credibilidade ambiental, deixando o rei Lula completamente nu."


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