Marina deixa PT mas não anuncia ainda filiação ao PV

BRASÍLIA (Reuters) - A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou nesta quarta-feira que vai deixar o PT e que estuda agora a filiação ao Partido Verde, mas disse que ainda não há decisão sobre candidatar-se à Presidência. Para fazer um diálogo de filiar-me ao PV, que foi o convite que me foi feito, eu precisava primeiro refletir se iria ou não sair do Partido dos Trabalhadores, por compreender que não era correto ficar já articulando a minha filiação a outro partido antes de tomar a decisão adequada sobre sair ou não do Partido dos Trabalhadores, disse Marina a jornalistas.

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"A partir de agora, me sinto livre para para fazer essa transição dentro daquilo que me dispus, uma discussão em termos programáticos", acrescentou.

Antes de falar aos jornalistas, Marina comunicou sua decisão ao presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP).

Em carta ao partido no qual militou por 30 anos, Marina faz uma dura crítica ao atual modelo de desenvolvimento.

"Tenho a firme convicção de que essa decisão (de deixar o PT) vai ao encontro do pensamento de milhares de pessoas no Brasil e no mundo, que há muitas décadas apontam objetivamente os equívocos da concepção do desenvolvimento centrada no crescimento material a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, ao custo, principalmente para os mais pobres, da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida."

À frente do Ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, Marina deu respaldo ao país contra a pressão internacional sobre o tratamento dispensado à Amazônia, mas enfrentou seguidos desgastes com colegas de governo quando havia conflito de interesses.

Polemizou com a ministra-chefe da Casa Civil e favorita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar sua sucessão, Dilma Rousseff, por causa de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como as usinas do rio Madeira. E foi alvo de críticas pelo rigor na concessão de licenças ambientais pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para essas e outras obras.

Em entrevista à Reuters na semana passada, a senadora afirmou que o Brasil está em um estágio de liderança para abrigar um movimento a favor da sustentabilidade ambiental, que se opõe ao que ela considera o desenvolvimento predatório.

"O desenvolvimento sustentável é algo que precisa ser colocado agora e o Brasil tem as melhores condições para a inflexão do modelo de desenvolvimento. Este debate nunca foi posto pelos partidos", afirmou à ocasião.

(Reportagem de Isabel Versiani)

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