A senadora Marina Silva (AC), pré-candidata do PV à Presidência da República, afirmou hoje que o maior desafio político do futuro governo é promover o diálogo entre o PT e o PSDB. Marina deixou em aberto a possibilidade de eventual aliança com petistas ou tucanos em 2010, ressaltando, porém, que reprova o que chamou de forma destrutiva de fazer política.

"É fundamental que, naquilo que é essencial para o País, haja a possibilidade de diálogo (entre PSDB e PT) para que se qualifique uma base de sustentação dentro do Congresso e não se fique refém de qualquer forma de fisiologismo", disse a senadora, durante visita a Ipatinga, no Vale do Aço mineiro.

Após discursar em um parque ecológico da cidade, Marina reiterou que o PV decidiu pela candidatura própria ao Palácio do Planalto. Ela, no entanto, fez questão de elogiar os "avanços" alcançados dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. "Estamos num processo, queremos disputar, queremos participar. Obviamente, com a clareza daqueles que querem fazer política sem ser de forma destrutiva. Não temos nenhum problema em reconhecer os avanços desses últimos 16 anos da política econômica", ressaltou.

Marina também aproveitou para reafirmar sua principal bandeira de campanha. "A história não para aí e queremos dar continuidade ao processo de mudança. E a mudança é mudar o modelo de desenvolvimento, da forma insustentável para a sustentável". A entrada da senadora na disputa presidencial foi o primeiro indício de que a eleição em 2010 não deverá se resumir a uma briga "plebiscitária" entre PT e PSDB. Para a pré-candidata do PV, é preciso "acreditar que é possível fazer diferente" na política brasileira. "Se fosse para aderir a qualquer esquema espúrio eu preferiria me ausentar", afirmou, citando a necessidade de convergência entre petistas e tucanos.

Marina voltou a condenar a "forma destrutiva de fazer política" ao ser questionada sobre a declaração do deputado federal e pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, que disse que o governador de São Paulo, José Serra - que disputa a indicação no PSDB com o colega mineiro Aécio Neves -, é mais feio na alma do que no rosto. Sem citar o nome do deputado socialista, disse que espera que este seja "um momento de discutir ideias, de discutir propostas". "Eu prefiro que a política estabeleça o debate e não o embate", afirmou. "Prefiro que a gente estabeleça o debate, o diálogo, do que qualquer forma destrutiva de fazer política sem respeitar o interlocutor".

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