Marcos Valério e outros 16 são presos em operação da Polícia Federal

SÃO PAULO - O empresário Marcos Valério foi preso na manhã desta sexta-feira em uma operação da Polícia Federal (PF) que tem o objetivo de combater um suposto grupo criminoso composto por empresários, despachantes aduaneiros, advogados e policiais civis e federais que, segundo a PF, praticava extorsão, fraudes fiscais e corrupção. A chamada Operação Avalanche prendeu ainda outras 16 pessoas e cumpriu 33 ordens de busca e apreensão.

Redação |

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Entre os outros presos na operação está um dos sócios de Valério nas agências de comunicação de Minas Gerais, a DNA e a SMP&B.

As ações acontecem nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo e, até o momento, as buscas já apreenderam mais de R$ 500 mil, além de farta documentação e mídias.

Segundo a PF, o suposto grupo criminoso responderá pelos crimes de corrupção ativa e passiva, extorsão, formação de quadrilha, contrabando e descaminho, quebra de sigilo e divulgação de dados sigilosos. As penas somadas ultrapassam 15 anos de prisão.

A polícia identificou três núcleos dentro do suposto grupo. O primeiro deles atuaria em contato com órgãos públicos obtendo informações privilegiadas sobre empresários que tinham problemas com o fisco. Em posse dos dados, os suspeitos praticavam extorsão, exigindo valores em troca de possível solução, de acordo com a PF.

O segundo núcleo atuaria diretamente nas fraudes fiscais, praticando importações ilegais através de empresas de fachada, contando com a ação de despachantes aduaneiros junto ao Porto de Santos, informou a polícia.

O terceiro foi identificado pela polícia quando uma empresa de Santos foi autuada pela Receita Federal em mais de R$ 100 milhões e os fiscais responsáveis foram desmoralizados através da instauração de Inquérito Policial que a PF diz ser baseado em "fatos inverídicos".

A ação de Valério

De acordo com os dados divulgados pela PF, Marcos Valério e seu sócio Rogério Tolentino integravam um grupo que tentava beneficiar a Cervejaria Petrópolis, instalada na cidade de Boituva, interior do Estado de São Paulo. 

A tática de Valério e Tolentino, segundo os agentes da Polícia Federal, era a de desmoralizar, por meio de ações de espionagem, fiscais da Receita Estadual, que recentemente haviam aplicado uma multa de R$ 104,5 milhões na cervejaria por sonegação fiscal.

Por meio de uma nota, a Cervejaria Petrópolis informou que ainda não teve acesso aos dados do inquérito da PF. A empresa garante que não possui qualquer tipo de ligação com Marcos Valério ou Rogério Tolentino.

Valério e Tolentino já foram transferidos para a superintendência da PF em São Paulo. Os dois chegaram no final da tarde desta sexta-feira.

Quem é Marcos Valério

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O empresário Marcos Valério ficou conhecido pelo envolvimento no caso do "mensalão" em 2005. De acordo com denúncias do então deputado Roberto Jefferson, o empresário participava da distribuição de "mesadas" de R$ 30 mil a deputados de partidos da base aliada do Partido dos Trabalhadores (PT).

Ele foi denunciado ao Supremo Tribunal Federal por corrupção ativa por duas vezes, peculato por três vezes, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha.

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