Mantega reafirma seriedade fiscal, com investimentos

Por Isabel Versiani e Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou nesta quinta-feira o compromisso do governo com uma política fiscal séria, mas frisou que os investimentos públicos serão mantidos para fazer frente à crise.

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Em seminário promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Mantega afirmou também que a economia brasileira ainda enfrenta problema de crédito escasso a custo "extremamente elevado".

"Se enganam aqueles que acham que vamos enfraquecer a política fiscal", disse Mantega em discurso.

"Vamos continuar mantendo uma política fiscal séria, equilibrada, de modo que vamos ter que cortar gasto corrente para poder acomodar uma queda de arrecadação que de fato está havendo pela crise", acrescentou o ministro.

"Nós vamos manter todos os programas de investimento", garantiu Mantega, argumentando que a política fiscal do governo é "proativa". "Não é uma política recessiva como se fazia no passado."

O governo anunciou no final de janeiro um bloqueio temporário de 37,2 bilhões de reais em despesas de custeio e investimento do Orçamento do Executivo em 2009. Esse número deve ser revisto este mês, quando o governo definirá sua programação orçamentária para o ano.

Na quarta-feira, Mantega não descartou uma redução da meta de superávit de 3,8 por cento do PIB para este ano, acrescentando que essa definição será feita até o próximo dia 20.

CONFIANÇA E CRÉDITO

Mantega avaliou que a economia doméstica ainda padece de crédito escasso, "principalmente para pequenas e médias empresas", a custo "extremamente elevado", mas reiterou avaliação de que o Brasil será um dos primeiros países a superar a crise global.

"Notamos alguns indicadores de melhoria, ainda bastante incipientes", afirmou Mantega, destacando dados recentes de fluxo cambial, da Bovespa e da indústria de São Paulo.

"Não significa que a crise está superada, significa que podemos ver a luz ao final do túnel", afirmou o ministro.

O empresário Jorge Gerdau Johanpetter, da siderúrgica Gerdau, presente ao seminário, afirmou em discurso que "o pior momento (da crise) passou", mas que o fator confiança é hoje a maior limitação na economia global.

"O mundo está tão globalizado, que a diminuição da nossa crise passa pelas soluções dos problemas mundiais", destacou Gerdau. "As limitações que nós temos estão fora do circuito brasileiro."

(Com reportagem adicional de Ana Nicolaci da Costa; Edição de Alexandre Caverni)

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