Mantega: compulsório maior não vai pressionar oferta de crédito

BRASÍLIA (Reuters) - As mudanças nos depósitos compulsórios vão enxugar apenas a liquidez excedente no sistema bancário e não devem alterar a oferta de crédito na economia brasileira, avaliou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quinta-feira. Segundo ele, boa parte da liquidez vinha sendo direcionada para aplicações em títulos públicos e, com isso, os bancos não teriam que reduzir as operações de crédito para cumprir as novas alíquotas de compulsório.

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"Os bancos têm muito crédito disponível e temos volume de compromissadas elevado... então, o que haverá é uma troca: em vez de aplicar na compromissada você terá o compulsório mais elevado", disse a jornalistas, acrescentando que não vê razão para que bancos aumentem as taxas de juros e o spread no país.

"Portanto, não haverá diminuição no crédito neste momento. Haverá pequena diminuição na liquidez... Está sobrando liquidez no mercado, tem mais de 500 bilhões de reais de (operações) compromissadas... Isso significa que eles (bancos) não estão utilizando esses recursos."

Na véspera, o BC anunciou a reversão de boa parte da flexibilização do recolhimento de compulsórios promovida no auge da crise global, enxugando 71 bilhões de reais da economia.

Questionado se a medida postergaria um eventual aumento da Selic, Mantega disse apenas que a decisão do BC ajuda a levar os compulsórios de volta ao nível pré-crise, mas evitou comentários mais diretos sobre a política monetária. "Você tem que perguntar isso para o Banco Central", afirmou.

COMPROMISSO FISCAL

Mantega afirmou ainda que o resultado fiscal do setor público em janeiro, divulgado nesta manhã, mostra que o governo vai cumprir a meta do ano.

"É um excelente resultado que mostra que vamos fazer o superávit primário de 3,3 por cento do PIB este ano. Nós já estamos com arrecadação em forte recuperação..., estamos no caminho certo", disse.

"É importante em ano eleitoral, quando as más línguas acham que podemos gastar mais. Garanto que vamos fazer o resultado fiscal de 3,3 por cento."

O setor público consolidado teve superávit primário de 16,185 bilhões de reais em janeiro, mais que o dobro do superávit de 7,358 bilhões de reais obtido há um ano, no auge da crise financeira global.

(Reportagem de Fernando Exman; Texto de Daniela Machado; Edição de Alexandre Caverni)

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