Mantega acena com importação, Barbosa destaca juro

Por Aluísio Alves e Walter Brandimarte SÃO PAULO/NOVA YORK (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou nesta sexta-feira que o governo poderá facilitar importações para conter alta de preços em alguns setores. Mas ele reconheceu que os juros podem ter de ser elevados, mensagem que foi reforçada pelo secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa.

Reuters |

"Tem que medir bem como esses reajustes são feitos. Na prática ainda não houve (reajustes) mas, se houver, nós vamos tomar medidas", disse Mantega a jornalistas, após participar de evento da indústria do aço.

Diferente do que vinha dizendo recentemente, o ministro agora considerou que um aumento dos juros pode ser necessário, apesar de ressaltar que a tática tem efeitos nocivos para a economia, como o aumento da dívida pública e a valorização do real.

"Outros mecanismos devem ser utilizados, como aproveitar a abertura da economia brasileira para elevar as importações; sei que o setor aqui não gosta disso, mas às vezes é necessário".

Em Nova York, o secretário de Política Econômica da Fazenda, Nelson Barbosa, afirmou que "obviamente a política monetária continua sendo principal instrumento para controlar inflação".

"Ela será ajustada no nível necessário para fazer a inflação convergir à meta", afirmou Barbosa à Reuters, após apresentação em uma conferência, sem descartar a possibilidade de medidas adicionais.

SIDERÚRGICOS

Mantega evitou fazer menção a um setor específico que poderia ter suas importações elevadas, mas usou como exemplo o setor de siderurgia, que poderia gerar um efeito em cascata em vários segmentos que têm o produto entre suas matérias-primas, entre eles a indústria automobilística.

Nesta semana, seguindo-se aos aumentos do preços anunciados para o minério de ferro pelas principais empresas mundiais do setor, entre elas a Vale, empresas nacionais como Usiminas e CSN anunciaram repasses no preço do aço.

"Por enquanto tem muitas declarações que ainda não chegaram aos preços; mas se houver, nós vamos tomar medidas", ameaçou.

Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, havia dito à Reuters que o governo não cogitava mexer na tarifa de importação do aço para contrabalançar o aumento do minério por entender que o impacto se dará indistintamente sobre a siderurgia nacional e estrangeira.

ENERGIA ELÉTRICA

Mantega também considerou a redução de impostos como uma ferramenta que poderia ser utilizada para evitar a pressão sobre os preços. Foi este o argumento utilizado por ele na véspera para estender a redução do IPI sobre materiais de construção, que valia até junho, para dezembro.

Dessa vez, contudo, o ministro mencionou a energia elétrica, que é cara devido a, entre outros fatores, impostos altos. Mas ele não adiantou se alguma medida neste sentido está em estudo pelo governo.

"Temos que olhar o assunto com carinho; o que não podemos é ficar com uma energia elétrica que está entre as mais caras do mundo", afirmou.

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