Com cartazes e instrumentos musicais, manifestantes pedem que Dilma desista do projeto da usina

Índios protestam em São Paulo contra a usina de Belo Monte
AE
Índios protestam em São Paulo contra a usina de Belo Monte
Manifestantes saíram às ruas de São Paulo e Rio de Janeiro para protestar contra a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu.

Em São Paulo, mais de cem pessoas se reuniram no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) para protestar. Com cartazes, megafones e instrumentos musicais, os manifestantes – alguns com o corpo pintado de verde – pediram à presidenta Dilma Rousseff que desista de avançar com o projeto.

“É um vasto problema de populações atingidas por barragens, reservas ambientais comprometidas. E para que essa energia? É para exportarmos lingote de alumínio a preço vil e reimportarmos pelo triplo do preço”, disse José Prata, do movimento Brasil pelas Florestas.

Indígenas do Alto Xingu também participaram do protesto, dançaram e tocaram instrumentos tradicionais. O índio Farema, da etnia Kalapalo, disse estar preocupado com a possibilidade de a usina afetar os peixes dos rios da região.

“Não podemos construir essa usina. Nosso alimento é o peixe. Alto Xingu não come animal, só peixe. Estamos preocupados é com a usina acabar com tudo, estragar tudo.”

Nesta sexta-feira (16), o juiz Carlos Eduardo Castro Martins, da 9ª Vara Federal no Pará, determinou a retomada das obras de Belo Monte . A decisão revoga liminar do próprio magistrado, que havia suspendido, em setembro, as obras da usina no curso do Rio Xingu, por entender que ameaçavam o transporte da população local e poderiam causar danos ambientais irreversíveis.

No Rio de Janeiro, cerca de 50 de pessoas protestaram na orla de Copacabana, zona sul da cidade, contra Belo Monte. Com o slogan "Belo Monte: com Meu Dinheiro Não!”, manifestantes carregaram cartazes, acusando o governo de gastar dinheiro público no empreendimento, orçado em R$ 26 milhões. Eles alegam que a obra vai prejudicar o meio ambiente e a vida dos povos indígenas e das populações tradicionais da Amazônia.

Saiba mais sobre Belo Monte: Construção da usina de Belo Monte mobiliza população da região de Altamira

A marcha foi organizada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e ocorreu também em Oito Estados e no Distrito Federal. A representante do movimento no Rio, Maíra Irigaray, explicou que o objetivo do protesto é informar à população que a obra deve passar de R$ 30 bilhões e que 80% desse dinheiro será repassado pelo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros abaixo do cobrado pelo mercado e prazo de 30 anos para pagar, segundo ela.

“Esse protesto é um dos muitos que virão e é uma onda de conscientização crescente. Vamos conseguir com isso o fim da construção de Belo Monte, a abertura de um diálogo verdadeiro, uma renovação da política energética do país e o respeito aos povos tradicionais da floresta e à natureza.”

Zélia Soares do Movimento Brasil pelas Florestas acredita que apenas a população pode impedir a construção de Belo Monte. “Tudo que começa pode ser impedido de novo, por isso temos que protestar. Além disso, faltam 14 ações contra a usina para serem julgadas na Justiça, que podem parar a obra a qualquer momento.”

Ana Bittencourt, de 20 anos, ficou sabendo do movimento pelo Facebook – rede social na internet. “Vim porque me importo, acho que essa ideia de que só por que está acontecendo fora do meu quintal não é problema meu é errada. [A obra] é lá no Xingu, muita gente não sabe onde fica, mas a população devia se importar com os direitos de quem está perdendo sua casa e sua terra.”

A construção de Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, se concluída, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW), e geração média de 4 mil MW. Ambientalistas e organizações indígenas e ribeirinhas da região do Xingu criticam o projeto que deve alagar uma área de 516 quilômetros quadrados.

Protesto contra a usina de Belo Monte na avenida Paulista
AE
Protesto contra a usina de Belo Monte na avenida Paulista

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