Manifestantes do MST invadem sede da Vale em Belém

SÃO PAULO - A mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce) informou que manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra invadiram na tarde desta quinta-feira a sede da empresa em Belém. Lideranças do movimento em São Paulo dizem que s famílias vítimas fizeram um protesto simbólico, com uma ocupação de uma hora (entre 15h e 16h), depois saíram do prédio e participaram de ato em memória aos 19 trabalhadores mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás. Nada foi quebrado na manifestação, diz o MST.

Redação com agências |


A obstrução da Ferrovia dos Carajás, em Parauapebas (PA), por manifestantes que participam dos protestos liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) criou novo impasse entre o movimento e a mineradora Vale (antiga Companhia Vale do Rio Doce). A invasão desta quinta-feira seria a nona realizada pelo movimento em pouco mais de um ano, segundo a empresa.

De acordo com o MST, a invasão desta quinta foi realizada pelo MTM (Movimento dos Trabalhadores na Mineração), que faz uma série de protestos para denunciar a exploração da empresa mineradora Vale e exigir a retomada de parte da área. A Vale rebate dizendo que os invasores, liderados pelo MST, fizeram de novo um de nossos maquinistas refém. A vítima foi Raimundo de Souza Nepomuceno, de 43 anos, que teve sua vida ameaçada por manifestantes que portavam porretes e facões.

A Vale, em nota, ainda se diz "indignada" pela insuficiência de ação das autoridades competentes que foram, há muito tempo e amplamente, avisadas que esta invasão iria acontecer. Também em nota, o MST diz que a Vale supostamente defende o Estado democrático de Direito, no entanto, faz apologia à violência contra os trabalhadores, que têm o seu direito de manifestação garantido na Constituição de 1988 e faz parte da dinâmica do jogo democrático.

Em março, a Vale obteve na Justiça do Rio uma liminar contra o MST que proíbe a organização e seu dirigente nacional João Pedro Stedile de "incitar e promover" atos violentos contra instalações da empresa ou que interrompam suas atividades. A liminar foi expedida no dia 18 de março pela juíza Patrícia Whately, da 41ª Vara Cível da capital fluminense, que fixou multa de R$ 5 mil por infração.

Na época, Stédile afirmou que as medidas judiciais adotadas pela Vale não impediriam novas ações do grupo contra a companhia e classificou como "idiotice" a ação dos advogados da empresa.

Governo age com eficiência, diz ministro

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou nesta quinta que o governo vem atuando com "eficiência" para minimizar os impactos dos protestos do MST nos últimos dias. Segundo ele, o governo teria conseguido, após negociações com o movimento, a desocupação da Estrada de Ferro de Carajás, no Pará, da mineradora Vale.

"Abril Vermelho"

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Nesta quinta-feira, integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiram pelo menos oito praças de pedágio nas rodovias do Paraná nesta quinta-feira. A manifestação faz parte do chamado "Abril Vermelho", que pretende lembrar a morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás (PA), em 1996.

Pela manhã, cerca de 150 integrantes do MST ocuparam o prédio da Secretaria Municipal da Educação de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. O grupo reivindica a construção de uma Escola do Campo dentro do Assentamento Mário Lago, na Fazenda da Barra, no município, já homologado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

No município de Americana, em São Paulo, cerca de 150 manifestantes ocuparam a fazenda Saltinho, no utilizada pela Usina Ester para o plantio de cana-de-açúcar.

Segundo informações da Polícia Militar, a região foi cercada e os acessos estão bloqueados. De acordo com o MST, em 2006, um procurador do Estado da região de Campinas notificou judicialmente a imobiliária Jaguari, que administra a Saltinho, alegando que a área é de propriedade do Estado.

Protesto ampliado

AE
Na quarta-feira, os sem-terra ampliaram seu protesto em 16 Estados. Em reunião com o Ministério das Cidades, o governo sinalizou que vai resolver, no curto prazo, a reivindicação da construção de 31 mil casas no campo para pequenos agricultores. O pedido de criação de programa de crédito ficou pendente e pode ser discutido até junho.

Para nós, a reunião foi positiva. Na próxima semana, voltaremos a nos reunir com o ministro e ainda amanhã (hoje) teremos reunião com a direção da CEF para discutir a questão das casas, disse José Batista de Oliveira, da coordenação do MST. Segundo o movimento, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é insuficiente e atende só 15% das famílias de pequenos agricultores.

(*com informações da Agência Estado)

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