Manifestantes bloqueiam ferrovia da Vale em Minas Gerais

SÃO PAULO - Cerca de 1.500 integrantes dos movimentos sociais Via Campesina e Assembléia Popular bloqueiam, na manhã desta quinta-feira, uma ferrovia da Companhia Vale do Rio Doce, na localidade de Baguari, em Governador Valadares, interior de Minas Gerais.

Agência Estado |

De acordo com a Polícia Militar, os manifestantes abordaram um trem de carga que vinha de Vitória (ES) com destino a Belo Horizonte, acamparam nos trilhos e obrigaram o maquinista a abandonar a composição. Conforme a PM, o protesto ocorria de forma pacífica, mas alguns trens da Vale estavam parados em razão do bloqueio da linha férrea.

A Vale informou em nota que, até por volta das 11 horas, cerca de 30 trens de carga deixaram de circular, "comprometendo" o transporte de minério e de cargas de empresas que são atendidas pela Vale.
"Novamente, mais de mil pessoas que usam o trem de passageiros da EFVM serão prejudicadas por causa de invasões", diz a nota divulgada.

Trata-se da 15.ª invasão à Vale, destacou a empresa, que disse considerar as ações "criminosas". "A empresa adotará todas as medidas judiciais cabíveis, inclusive na esfera criminal, para restabelecer, com urgência, o tráfego ferroviário na região."

Os manifestantes reivindicavam, entre outras coisas, a reestatização da Vale do Rio Doce e o ressarcimento dos prejuízos causados pelas barragens para a construção de usinas hidrelétricas.

O protesto pede também o reassentamento de famílias que foram retiradas dos locais e o pagamento de participação sobre a retirada de minério para prefeituras da região. Equipes da Polícia Militar estavam no local acompanhando o movimento e não havia, até as 9 horas, registro de confrontos na área.

Segundo a Via Campesina, cesta quinta-feira, aconteceram protestos em Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Goiás e Rio Grande do Sul.

Protestos da Via Campesina

Duas fazendas invadidas e confronto com a polícia no Rio Grande do Sul, bloqueios e protestos em Pernambuco e a manutenção da ocupação de uma usina no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, marcaram ontem a continuação da jornada da Via Campesina contra o agronegócio, apoiada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST). Desde terça-feira, 13 Estados foram alvo de manifestações.

Em Porto Alegre, um grupo invadiu o estacionamento do Supermercado Nacional, no bairro Menino Deus. A Brigada Militar cercou o local e disparou balas de borracha. Os manifestantes, alguns feridos, reagiram atirando pedras e paus. Também no Rio Grande do Sul, militantes do MST e do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) invadiram duas propriedades da Votorantim Celulose e Papel, em Piratini e Herval. Por nota, o MPA alegou protestar contra o avanço do plantio de eucaliptos na região.

Em Petrolândia (PE), o MST bloqueou por cinco horas a BR-110 e fez protestos diante de uma fábrica da Netuno Alimentos - um dos maiores exportadores de pescado do País - e de uma subestação da Companhia Hidrelétrica do São Francisco. De acordo com Francisco Terto, da direção do MST em Pernambuco, a atuação da empresa na região configura privatização da água do Lago de Itaparica.

O grupo Odebrecht entrou ontem com ação pedindo a retirada dos 500 integrantes do MST que desde anteontem ocupam as obras da usina de açúcar e álcool Conquista do Pontal, em Mirante do Paranapanema. Até o início da noite, o pedido não tinha sido julgado. Os sem-terra continuam acampados no canteiro de obras. "Demos férias para os operários", disse o dirigente do MST José Batista de Oliveira.

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