O ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Mangabeira Unger, apresentou hoje para a bancada nordestina na Câmara as linhas gerais de um plano de desenvolvimento para a região que, no seu entender, transformará o Nordeste na China Brasileira. O Nordeste é a nossa China.

Pode ser a nossa China no mau sentido ou no bom sentido. Será a nossa China no mau sentido se for apenas um manancial de trabalho barato. Será a nossa China no bom sentido se virar uma grande fábrica de engenho e de inovação", afirmou o ministro, após o encontro com os parlamentares. Mangabeira reclamou que do total da bancada de nove Estados nordestinos estavam presentes na conversas apenas 10% dos deputados.

"Discutimos com os deputados a possibilidade de consubstanciar esse projeto em um documento legal para o Congresso apreciar e aprovar", afirmou o ministro, sobre a possibilidade de transformar sua proposta em um projeto de lei, conforme foi sugerido por alguns parlamentares. Mangabeira, porém, não disse qual será exatamente a sua proposta, preferindo falar apenas dos princípios de ação. O primeiro deles, afirmou, é construir o ideário abrangente, entendido como uma causa nacional. Além disso, defendeu a organização de uma campanha que ajude a levar o Nordeste para o centro do debate.

"Isso tudo é muito teórico", reagiu o deputado Julio Cesar (DEM-PI). Segundo ele, se não houver uma lei específica determinando o cumprimento de medidas, o projeto não sairá da retórica. "O projeto está no campo das ideias. O Nordeste não precisa de ideias, precisa de ações", completou. Como medida prática, Mangabeira propôs aos parlamentares a criação de uma nova escola média, "que combine o ensino geral de orientação analítica e capacitadora e um novo tipo de ensino técnico, que substitua a aprendizagem de ofícios rígidos pelo domínio de capacitações práticas flexíveis e genéricas". Também defendeu a concorrência cooperativa entre as empresas, sob uma coordenação estratégica dos governos estaduais. Segundo ele, o foco deve estar nas pequenas e médias empresas.

Mangabeira definiu ainda como indispensáveis grandes projetos industriais, como de siderúrgicas e refinarias de petróleo, mas desde que sejam executados com o objetivo de transformar a vida econômica e social do local em que são construídos. "Por exemplo, quando se instala uma refinaria deve-se promover em torno dela cadeias produtivas na alcoolquímica, na produção de fertilizantes", explicou. Ele defendeu também a injeção de recursos nacionais na região. "Não se organiza o Nordeste sem a transferência de recursos nacionais para o Nordeste, mas o mais importante é que haja um projeto" afirmou o ministro, anunciando que no dia 24 de abril estará em Natal, no Rio Grande do Norte, apresentando sua proposta.

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