Manaus já foi centro internacional de combate a doenças tropicais

Pesquisa da Fiocruz mostra que, há cerca de cem anos, Manaus foi referência internacional das discussões sobre doenças tropicais, saneamento e saúde pública. A afirmação é do pesquisador Júlio Schweickardt, que defendeu a tese Ciência, nação e região: as doenças tropicais e o saneamento no Estado do Amazonas (1890-1930).

Agência Estado |

O estudo mostra que a capital amazonense se modernizou durante o ciclo da borracha e realizou grandes ações em parceria com cientistas internacionais, como foi o caso da erradicação da febre amarela, em 1913.

No início do século 20, as ações de saneamento estiveram praticamente restritas à Manaus. A situação mudou após a criação do Serviço de Saneamento e Profilaxia Rural, que levou o saneamento para outras partes do Amazonas. A infraestrutura da época abrangia bases fixas de operação nas calhas dos principais rios e embarcações que percorriam as comunidades ribeirinhas. "O saneamento de Manaus começa quando as chamadas 'doenças do clima quente' passam a conflitar com o conceito de civilização que as autoridades políticas queriam construir. Doenças como a febre amarela afetavam diretamente comunidades locais de ingleses, alemães e italianos, que estavam lá para explorar a borracha", diz Schweickardt.

O auge do ciclo econômico transformou Manaus em uma cidade moderna, com as mesmas benfeitorias que chegavam ao Rio de Janeiro, a então capital federal. O desenvolvimento econômico proporcionou também grande circulação de ideias e permitiu o surgimento de um núcleo de médicos que estava a par das discussões científicas mais avançadas a respeito do combate das doenças tropicais. Escolas de medicina tropical recém-criadas, como as de Londres e Liverpool, na Inglaterra, enviam missões frequentemente para Manaus.

AE

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