MAM expõe 170 anos de fotografia experimental em São Paulo

SÃO PAULO ¿ A partir desta quinta-feira (23), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) abre a exposição Olhar e Fingir, que reúne quase 270 fotografias retiradas do maior acervo particular do mundo. Dentre as 50 mil imagens dos colecionadores Michel e Michèle Auer, os curadores escolheram obras de artistas transgressores como Brassaï e Man Ray. A mostra faz parte do Ano da França no Brasil.

Bruno Rico, repórter do Último Segundo |

Reprodução
Pierre Jahan, Couverture pour un catalogue de jouets, 1936

"Couverture pour un catalogue de
jouets" (1936), de Pierre Jahan

Desde a primeiras imagens registradas em lâmina de estanho até a proliferação das câmeras digitais, passaram-se 170 anos. Durante esse tempo, uma mesma dúvida atraiu críticos e filósofos: como uma imagem pode ser ao mesmo tempo real e ilusória? Susan Sontag e Roland Barthes já escreveram sobre o assunto. Pendendo para um lado da questão, a mostra "Olhar e Fingir" revisita os séculos 19, 20 e 21 para valorizar o lado "imaginário" da fotografia.

"A exposição mostra a obra de artistas que colocaram em cheque a função da fotografia como testemunha dos fatos", afirma o curador Eder Chiodetto. "Estamos colocando em perspectiva a dimensão experimental da foto, completa a curadora francesa Elise Jasmin.

Jasmin explica que o visitante que for à exposição verá uma história diferente da fotografia. "Fizemos uma leitura transversal da fotografia. Colocamos lado a lado imagens que às vezes têm um século de distância, mas que têm um discurso similar. A partir desses cruzamentos, é possível ter acesso à história da fotografia, não de forma linear, mas de forma temática". O curador Eder Chodetto garante que a mostra traz o melhor da história da fotografia. O visitante vai ver seus grandes saltos evolutivos.

Reprodução
René Groebli, Portrait d'Aja Iskander Schmidlin, 1970

"Portrait d'Aja Iskander Schmidlin" (1970), de René Groebli 

Dentre os clássicos expostos, destacam-se obras de artistas como Man Ray, Margaret Cameron, Cartier-Bresson e o brasileiro Geraldo de Barros ¿ "um dos mais iconoclastas", segundo o curador Eder Chodetto. Entre as peças raras, há daguerreótipos (primeiras formas de captação de imagem), vistas estereoscópicas em três dimensões e um calótipo (exemplar do processo positivo/negativo desenvolvido por William Henry Fox Talbot) da década de 1850. Com certeza, vai ser uma grande alegria para os visitantes, diz Chodetto.

Reprodução
Pierre Jahan, Surréalisme, c. 1950

"Surréalisme" (1950), de Pierre Jahan

Embora a mostra trate de grandes ícones da fotografia, o conteúdo é apresentado de forma didática e fácil de acompanhar. Com textos explicativos, é possível conduzir o visitante nesta aventura do olhar, aposta o curador. Estou impressionado. São fotos de muita qualidade, bem organizadas e apresentadas, disse o visitante Fernando, estudante de design.

Trata-se da primeira vez que o acervo de Michel e Michèle Auer sai da Europa. Para Elisa Jasmin, foi uma troca de olhares entre o Brasil e a França, entre o MAM e a cidade de Mompelier. O trabalho para selecionar apenas 270 fotografias dentre 50 mil durou cerca de um ano e meio e foi conduzido pela própria característica da coleção. "A gente percebeu que os colecionadores tinham um viés na escolha da coleção, e vimos que esse viés era o da imaginação. O visitante vai ver o melhor da história da fotografia", aposta Eder Chodetto.

Olhar e Fingir: Fotografias da Coleção Auer
MAM Ibirapuera, São Paulo
Av. Pedro Álvares Cabral, s/ nº - Parque Ibirapuera
Telefone: (11) 5085-1300
Ingresso: R$ 5,50 (grátis aos domingos)
Terça a domingo: 10h às 17h (com permanência até às 18h)

Leia mais sobre: fotografia

    Leia tudo sobre: artefotografiamam

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG