Maluf se esquiva de repetir bordão com Russomanno

O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) parece ter aprendido com os erros do passado e mudou o discurso ao comentar, hoje, qual seria o conselho que daria aos eleitores que ficassem decepcionados caso o pré-candidato do partido a governador, deputado federal Celso Russomanno (PP-SP), fosse eleito e não fizesse um bom governo. Se ele não for um bom governador? Aí vocês nunca mais votem nele, disse Maluf, durante entrevista na Câmara Municipal de Ribeirão Preto (SP).

Agência Estado |

Em 1996, Maluf era prefeito de São Paulo e lançou como candidato o seu secretário de Finanças e "xará" de Russomanno, Celso Pitta. Na campanha e na televisão, Maluf pediu votos para seu apadrinhado político e repetiu a frase: "Se ele não for um grande prefeito, nunca mais votem em mim." Pitta foi eleito, governou entre janeiro de 1997 e maio de 2000, foi afastado do cargo acusado de várias irregularidades, reassumiu em julho de 2000 e terminou o mandato naquele ano. Assim como Maluf, chegou a ser preso, mas deixou a cadeia. Morreu em 20 de novembro do ano passado, rompido com seu padrinho político.

Maluf, que depois de abonar Pitta na campanha nunca mais foi eleito para cargos executivos, apesar de tentar ser governador e prefeito, conseguiu se eleger deputado federal. Além de passar a responsabilidade de ser um bom governador para Russomanno, Maluf lembrou que o desempenho do deputado e colega de partido nas pesquisas foi por méritos próprios.

"Sem ser tão conhecido como candidato, ele teve 10% na pesquisa Datafolha para o governo de São Paulo", disse. "Podem escrever que o segundo turno das eleições em São Paulo terá Celso Russomanno e Geraldo Alckmin (pré-candidato ao governo pelo PSDB)", completou Maluf, que, apesar de não aboná-lo como fez com Pitta, disse estar à disposição de Russomanno caso ele vença as eleições. "Se o Celso, eleito, quiser meus conselhos, é só ligar", afirmou.

Já Russomanno procurou falar de acordos políticos, principalmente o costurado entre o PP e o PSB em São Paulo, como revelado ontem pela Agência Estado . O pré-candidato ao governo paulista afirmou que, se o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, filiado o PSB, quiser, a vaga de vice será dele. "O Skaf terá a nossa vaga de vice na hora em que quiser", disse.

Indagado se não haveria problema de uma coligação entre o PP, partido de direita surgido do antigo PDS, e do PSB, de esquerda, Russomanno desconversou. "É difícil falar de esquerda e direita no Brasil. O próprio Skaf está no PSB". Já Maluf, ao ser indagado se o PP apoiaria a candidatura petista da ex-ministra Dilma Rousseff à sucessão de Lula, foi mais enfático. "A tendência do PP de São Paulo hoje é de não apoiar, mas a decisão é nacional."

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