Mais homens procuram ajuda para problemas sexuais, diz sexóloga

Desde que retornou ao Brasil, em 2002, após 12 anos em Londres, entre especialização e atendimento no Victoria Clinic Westminster Hospital, a psicóloga clínica e sexóloga Ana Cláudia Simão tem acompanhado mudanças entre homens e mulheres. Algumas sutis, outras nem tanto.

Agência Estado |

Atualmente, ela diz que mais e mais homens procuram ajuda e conversam mais sobre suas dificuldades sexuais. A demanda aumentou também por duas razões: a crise econômica e a autonomia feminina.

“Sempre atendi mais homens do que mulheres, mas esse crescimento deve-se à dificuldade masculina para se comportar no mundo moderno, pois carregam tradições e conservadorismo”, observa Ana Cláudia. “Isso deu um choque.” O que mais chama atenção, contudo, é que, apesar de uma suposta liberdade sexual hoje, a insatisfação na cama continua assombrando. “Embora as pessoas mostrem-se liberadas, ainda há muito bloqueio para o prazer”, ressalta a especialista, de 47 anos.

“Mais ativas sexualmente, as mulheres ainda sentem dificuldades para ter orgasmo e, em vez de ejaculação precoce, os homens agora reclamam da queda na libido.” A especialista ressalta que a crise financeira mundial agravou o problema da falta de libido masculina. "Homem sem dinheiro e posição sente que não é nada na nossa cultura, pois esses são os símbolos de masculinidade e potência sexual."

Ana Cláudia conta que a mulher encara a separação de forma mais madura que o homem e, por ser mais seletiva, ela tem mais dificuldade de encontrar um companheiro. "Quando a mulher se separa vai viver sozinha com os filhos. No entanto, boa parte dos homens que eu atendo no consultório, quando toma a iniciativa de terminar o relacionamento, é porque já tem alguém. O homem não sabe viver sozinho, pois precisa de alguém para cuidar dele."

Romantismo

A cultura latina, diz a especialista, contribui para essa tendência masculina de estar sempre acompanhado, pois ele sai da casa da mãe "superprotetora para se casar. As mulheres são bem mais seletivas, por isso têm mais dificuldade de encontrar um companheiro. Já eles, para não ficarem sozinhos, pegam a primeira que aparece." Resgatar o romantismo no casamento também não é tarefa fácil. A sexóloga explica que a acomodação, mágoas e o rancor ao longo dos anos de convivência pode tornar o relacionamento automático. "Um aguenta o outro por causa dos filhos. E para resgatar namoro é necessário estar amando."

Ciça Vallerio

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