Mais de quatro mil policiais militares estarão na passeata contra a emenda Ibsen, marcada para as 16h desta quarta-feira no centro do Rio de Janeiro. A emenda redistribui a receita dos royalties do petróleo e tira R$ 7 bilhões do governo estadual e dos municípios fluminense. São esperadas 150 mil pessoas para o ato.

A passeata terá início na Candelária e irá seguir até a Cinelândia. De acordo com a Polícia Militar, o efetivo utilizado no ato estará localizado nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, nas ruas localizadas no entorno dessas vias e nos locais de escoamento do trânsito e de concentração de ônibus de caravanas, como o Teleporto e a Cidade do Samba.

Por causa do manifesto, o centro do Rio terá um esquema especial de trânsito. Segundo a prefeitura, painéis de mensagens variáveis estarão posicionados em vários pontos da cidade, orientando os motoristas em relação às interdições e à passeata. Cerca de 280 agentes da Guarda Municipal e 50 agentes de tráfego da CET-Rio atuarão na região impactada pelas interdições. Veja aqui as mudanças no trânsito .

Shana Reis

Faixa contra a emenda Ibsen exposta no Teatro Municipal, no Centro do Rio

Transportes

A concessionária Barcas S/A vai realizar nesta quarta-feira uma travessia exclusiva e gratuita de Niterói para o Rio, às 15h, para transportar entidades envolvidas na mobilização. A embarcação tem capacidade para 2 mil pessoas. Os bilhetes para retorno serão entregues pela tripulação, durante a viagem de ida.

O metrô também terá esquema especial por causa da passeata. Das 15h às 22h, a concessionária Metrô Rio vai colocar o máximo de composições em circulação para atender a demanda. A melhor saída para chegar à Candelária, local de concentração do público, será as estações de Uruguaiana e Carioca.

O retorno, na estação da Cinelândia, deverá ser feito através dos acessos Pedro Lessa, Odeon e Santa Luzia. As duas saídas próximas ao Teatro Municipal estarão fechadas por estarem localizadas no centro do evento. As linhas de extensão Metrô Na Superfície (Botafogo/Gávea e Ipanema/ General Osório - Gávea) funcionarão normalmente, até a chegada do último trem, que parte das estações à meia-noite.

Shana Reis

A faixa também pode ser vista na Câmara dos Vereadores, na Cinelândia

Ponto facultativo

Visando a uma adesão maior da população, o governador Sérgio Cabral decretou ponto facultativo para os servidores do Estado a partir das 15h. Nas escolas municipais do Rio, os alunos irão debater temas ligados aos royalties do pré-sal durante o horário escolar desta quarta-feira. Às 15h, todos os alunos e professores serão liberados.

No tradicional Colégio São Bento, localizado no centro do Rio, todos os estudantes e professores vão ser dispensados às 14h30. A medida foi tomada após orientação da CET-Rio. Diversas empresas localizadas na região, como a L´Oreal, irão liberar seus funcionários às 15h devido às interdições no tráfego do centro da capital fluminense.

Carlos Magno

No Cristo Redentor, a faixa mede 25 metros de largura e 37 metros de altura

Participações

De acordo com o governo do Estado do Rio, estão confirmadas para o ato as presenças de Tony Garrido, Leandro Sapucahy, Fernanda Abreu, MC Sapão, Gustavo Lins, Neguinho da Beija-Flor, Alcione, Rômulo Costa, Sandra de Sá, Nega Gizza, MV Bill e DJ Sany Pitbull. A passeata também contará com os grupos Pedro Luís e a Parede, Molejo, Revelação, Bom Gosto, Pixote e Swing e Simpatia, além das baterias da Grande Rio, Salgueiro, Mangueira, Portela e Vila Isabel.

No protesto, irão participar ainda secretarias municipais e estaduais, autoridades de municípios fluminenses, como Campos dos Goytacazes, Macaé e Nova Iguaçu, membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) e grupos estudantis. Na internet, estão sendo veiculados logos para serem impressas e coladas nas camisas durante a passeata. Vamos mostrar que o Rio não vai aceitar calado. Somos a síntese do Brasil, e o País não pode fazer isso conosco, disse o governador Sérgio Cabral.

Shana Reis

Mesmo discreta, a faixa também está exposta no Teatro João Caetano

Barulho

A estratégia da passeata desta quarta-feira é fazer barulho e pressionar o Senado para derrubar a emenda Ibsen, aprovada na Câmara. Caso passe no Senado, segundo Cabral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já assumiu o compromisso de que vai vetar o projeto. Se a estratégia não der certo, avisou o governador, o Estado deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Cabral e seus aliados argumentam que a emenda aprovada na Câmara é inconstitucional.

Com a emenda, o município de Campos dos Goytacazes pode perder R$ 800 milhões de royalties do petróleo, ficando com cerca de R$ 100 milhões. Em Macaé, a receita deve cair de R$ 400 milhões para R$ 2 milhões. Cabo Frio, de R$ 120 milhões para R$ 2 milhões. Abalada no início do ano pelas chuvas que atingiram a cidade, Angra dos Reis pode ver a receita minguar de R$ 90 milhões para R$ 3 milhões.

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