Mais de 20 mil t de lixo não são coletadas por dia, aponta estudo

SÃO PAULO - Mais de 20 mil toneladas de lixo doméstico produzido diariamente em todo o Brasil não são coletadas e vão parar em cabeceiras de rios, valas, terrenos baldios ou são simplesmente queimadas. É lixo suficiente para encher 28 piscinas olímpicas todo dia ou cobrir o Estádio do Maracanã de detritos a cada 36 horas.

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Já 54,9% - 83 mil toneladas/dia - das 150 mil toneladas de lixo doméstico que são coletadas vão para aterros sanitários, enquanto 67 mil toneladas/dia (45,1%) seguem com destinação inadequada e vão para aterros com problemas e lixões a céu aberto. Os dados fazem parte de um estudo da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) e revelam um problema grave, que envolve saúde pública e saneamento.

Agência Brasil
Pior situação de coleta de lixo está na região Centro-Oeste

O maior problema, segundo o levantamento da Abrelpe, está nos Estados de Norte, Centro-Oeste e Nordeste (onde se coletam 6%, 7% e 22% dos resíduos, respectivamente, os menores índices do País).

A pior situação está no Centro-Oeste. Ali, 74% do total coletado tem destinação inadequada. É o caso do município de Colniza, no norte de Mato Grosso. Com 27 mil habitantes, 56% deles na zona rural, os detritos domésticos são levados para um lixão. Estamos tentando regularizar a situação ambiental desse depósito. Não temos verba suficiente para criar um aterro controlado, que é muito caro, explica o secretário de Administração, Fabio Dias Correia.

De acordo com o presidente da Abrelpe, João Carlos David, a coleta de resíduos domiciliares no Brasil cresceu 5,9% em 2008, em comparação com 2007. Passou de 140,9 mil toneladas/dia para 149,1 mil toneladas/dia. Já a geração per capita caiu 1% - de 1,106 kg/habitante/dia, em 2007, para 1,080 kg/hab/dia, no ano passado.

Dos 5.564 municípios brasileiros, 56% indicam a existência de iniciativas de coleta seletiva de lixo. O mercado de limpeza urbana movimenta anualmente, segundo David, cerca de R$ 17 bilhões. No ano passado, o setor privado investiu R$ 12 bilhões - e a área pública, R$ 5 bilhões. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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