Entre 2005 e 2008, foram desmatados ao menos 102.938 hectares de mata atlântica no País, aponta estudo feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A área corresponde a dois terços do tamanho da cidade de São Paulo. Os números revelam a persistência da média de desflorestamento em 34.121 hectares por ano. No período de 2000 a 2005, a média foi muito parecida, de 34.965 hectares anuais. Atualmente, 112 milhões de pessoas vivem em regiões com este tipo de vegetação.


A pesquisa Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica revela que os estados que sofreram maior desmatamento são Minas Gerais, Santa Catarina e Bahia. Eles perderam nos últimos três anos, 32.728, 25.953 e 24.148 hectares respectivamente. A diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do "Atlas pela SOS Mata Atlântica", Marcia Hirota, entende que é urgente o aparelhamento do Ibama para ampliar a fiscalização.

Minas Gerais possuía, originalmente, 27.235.854 ha de Mata Atlântica, que cobriam 46% de seu território; pelo levantamento, restam apenas 9,68%. Flávio Ponzoni, coordenador técnico do estudo pelo INPE afirma que os remanescentes de mata atlântica do estado ficaram quase restritos a topos de morro. A continuar assim, de fato, restará muito pouco em pouco tempo.

Santa Catarina, que está 100% inserida no Bioma, tem 23,29% de floresta; Já a Bahia, que tem 33% do território na Mata Atlântica, ou 18.875.099 hectares, ficou hoje com apenas 8,80% de floresta.

Segundo o estudo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Bahia são as áreas mais críticas para a Mata Atlântica, pois são os Estados que mais possuem floresta em seu território e, por isso, têm grandes áreas desmatadas em números absolutos, aponta o estudo.

Mario Mantovani, diretor de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, identifica o desenvolvimento das cidades como principal motor de desmatamento no País. Nossos trabalhos demonstram que os desmatamentos em geral são em função da expansão urbana e, também, nos limites dos biomas de mata atlântica e cerrado em MG, por conta do carvão para a siderurgia. Isso nos leva a contestar o terrorismo contra os pequenos proprietários promovido pelo Ministro da Agricultura e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Vale lembrar que os pequenos agricultores são tratados de forma diferenciada pela lei da mata atlântica.

Além dos estados citados, o Paraná perdeu 9.978 hectares de mata; Rio Grande do Sul, 3.117 hectares; São Paulo, 2.455 hectares; Mato Grosso do Sul, 2.215; Rio de Janeiro, 1.039 hectares; Goiás, 733 hectares; Espírito Santo, 573 hectares.

Desmatamento nos municípios

As informações divulgadas hoje mostram também dados do desmatamento da Mata Atlântica por municípios dos dez Estados analisados no período de 2005-2008, e apontam que Jequitinhonha (MG), Itaiópolis (SC), Bom Jesus da Lapa, Cândido Sales e Vitória da Conquista (BA) foram os municípios que mais perderam cobertura nativa no período de 2005-2008. Jequitinhonha (MG) perdeu 2.459 hectares, seguido de Itaiópólis (SC), que suprimiu 1.806 hectares, e Bom Jesus da Lapa (BA), que perdeu 1.797 hectares. Aparecem em seguida Cândido Sales (BA), com 1.580 hectares, e Vitória da Conquista (BA), com 1.418 hectares.

Os dados e mapas podem ser acessados pela internet, nos sites www.sosma.org.br e www.inpe.br .

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