População equivalente à do Paraná é a mais miserável entre 16,267 milhões contabilizados pelo governo para o Brasil sem Miséria

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Uma população estimada em 10,5 milhões de brasileiros - equivalente ao Estado do Paraná - vive em domicílios com renda familiar de até R$ 39 mensais por pessoa. São os mais miseráveis entre 16,267 milhões de miseráveis - quase a população do Chile - contabilizados pelo governo federal na elaboração do programa Brasil sem Miséria . Lançado em 2 de junho como principal vitrine política do governo Dilma Rousseff, o programa visa à erradicação da miséria ao longo de quatro anos. 

Mulher beneficiada pelo Bolsa-Família faz recadastramento em São Paulo (24/07/2009)
Agência Estado
Mulher beneficiada pelo Bolsa-Família faz recadastramento em São Paulo (24/07/2009)
Dados do Censo 2010 recém-divulgados pelo IBGE que municiaram a formatação do programa federal oferecem uma radiografia detalhada da população que vive abaixo da linha de pobreza extrema, ou seja, com renda familiar de até R$ 70 mensais por pessoa - ou 8,5% dos 190 milhões de brasileiros. 

A estimativa dos que sobrevivem com até R$ 39 mensais per capita corresponde à soma dos 4,8 milhões de miseráveis que moram em domicílios sem renda alguma e dos 5,7 milhões de moradores em domicílios com rendimento de R$ 1 a R$ 39 mensais. Estima-se que outros 5,7 milhões vivem com renda entre R$ 40 e R$ 70 mensais por pessoa da família. 

Os números calculados pelo Estado são aproximados e levam em conta o número médio de 4,8 moradores por domicílio com renda familiar entre R$ 1 e R$ 70 mensais. 

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social com base no Censo 2010, há 4 milhões de domicílios miseráveis no País. Em 1,62 milhão desse total vivem famílias que não têm renda. Em 1,19 milhão de moradias a renda familiar é de R$ 1 a R$ 39 mensais per capita e em outro 1,19 milhão as famílias vivem com R$ 40 a R$ 70.

Além da baixíssima renda, os extremamente pobres têm em comum o fato de viver em domicílios com pelo menos um tipo de carência por serviços básicos, como energia elétrica, abastecimento de água, rede de saneamento ou coleta de lixo.

Ranking

O Estado com o maior número absoluto de miseráveis é a Bahia, onde estão 2,4 milhões - ou 14,8% da população extremamente pobre. Os baianos miseráveis são 17,7% dos habitantes do Estado.

No Maranhão, no entanto, está a maior proporção de miseráveis. Um em cada quatro moradores vive com renda familiar per capita entre zero e R$ 70 - um total de 1,7 milhão de pessoas, que representam 25,7% da população. 

Seis Estados (PA, MA, CE, PE, BA e SP) têm, cada um, mais de 1 milhão de moradores em extrema pobreza. Juntos, eles concentram 9,4 milhões de miseráveis, ou 58% do total. 

Estado mais populoso do País, São Paulo tem 1,084 milhão de pessoas que vivem em domicílios em situação de pobreza extrema - o que representa só 2,6% do total de habitantes. 

A pesquisadora Lena Lavinas, do Instituto de Economia da UFRJ, especializada no estudo da pobreza, acredita que em um ano seja possível "alcançar as pessoas que, embora indigentes, ficaram de fora do programa Bolsa Família". "O importante é que não haja cotas ou limites para os municípios. Todas as pessoas devem ser cobertas."

Sem-renda não miseráveis

Na contabilidade dos extremamente pobres, o Ministério do Desenvolvimento Social não considerou 2 milhões que vivem em domicílios sem renda, mas, por terem melhores condições de moradia, não se enquadraram no "filtro" que classificou os que vivem na miséria. O total de brasileiros que vivem em famílias sem rendimento, segundo o Censo 2010, é de 6,8 milhões, divididos em 2,4 milhões de domicílios.

No entanto, foram enquadrados na categoria de miseráveis 4,8 milhões que vivem em famílias de renda zero, em 1,6 milhão de domicílios. A explicação dos técnicos é que a coleta de dados do Censo 2010 se refere à realidade dos domicílios no mês de julho daquele ano. Famílias que não são pobres podem não ter tido renda naquele período específico, mas isso não significa que viviam em condição de miséria.

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