Mais da metade do efetivo já deixou o Morro da Providência, diz comandante

Rio de Janeiro - O efetivo do Exército no Morro da Providência já se reduziu em mais da metade, desde o meio da semana, quando a Justiça questionou a presença dos militares na comunidade. Com isso, segundo o coronel Silva Júnior, responsável pelas operações na favela neste sábado, a ocupação conta com cerca de 60 militares. Mais de 100 homens já retornaram ao quartel, disse o militar.

Redação com agências |

Na sexta-feira, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região, no Rio de Janeiro, decidiu autorizar a presença do Exército, mas apenas na área do canteiro de obras, localizado na parte baixa da favela, para garantir a segurança dos trabalhadores. Na manhã de hoje, no entanto, mais de 30 soldados patrulhavam a parte alta do morro, distante do canteiro.

Segundo o comandante das operações, o Exército manteve os soldados no alto do morro porque entende que, para garantir a segurança do canteiro, é preciso manter a posição em pontos estratégicos da Providência.

Se eu não ocupar as elevações que dominam o canteiro de obras, não estou falando de segurança. Minha tropa fica ali como se fosse um alvo fácil para qualquer meliante lá de cima, justificou o coronel Silva Junior.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Na segunda-feira, após o enterro dos três jovens, moradores do Morro da Providência protestaram em frente à sede do Comando Militar do Leste (CML). Durante a manifestação, policiais do Exército entraram em confronto com os moradores, atirando bombas de efeito moral.

Força Nacional

A Força Nacional de Segurança Pública foi criada em junho de 2004 pelo Ministério da Justiça, para atuar nos Estados em situações emergenciais. Ela é comandada pela Secretaria Nacional de Segurança e reúne os melhores policiais dos Estados e da Polícia Federal.

Os integrantes da tropa, porém, não deixam de atuar nas instituições de origem. Após um treinamento de duas semanas, os policiais retornam para trabalhar em seus Estados e permanecem em prontidão para uma possível convocação. Depois de encerradas as operações especiais, são dispensados e voltam aos seus Estados.

*Com informações da Agência Brasil e Estado

Leia também:

Leia mais sobre: violência no Rio

    Leia tudo sobre: exercitorio de janeiro

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG