Mais altos e gordos, brasileiros têm morrido menos do coração, aponta estudo

BRASÍLIA - O brasileiro está morrendo menos do coração, mas tem sofrido mais com o diabetes. Nos últimos 30 anos, também ficou mais alto. E mais gordo. As conclusões fazem parte do estudo Saúde Brasil 2008, divulgado nesta quinta-feira em Brasília pelo Ministério da Saúde, um panorama sobre como anda a saúde da população brasileira, baseado na compilação e na análise de estatísticas do último ano e também das últimas três décadas.

Erika Klingl, iG Brasília |

A avaliação dos médicos e especialistas aponta para a melhora da tecnologia dos tratamentos disponíveis e para a piora da qualidade de vida da população. Se os índices de desnutrição caíram mais de 80%, e brasileiro cresceu uma média de 2,6cm nos últimos 30 anos, a alimentação, por outro lado, está longe do ideal: está cada vez mais rica em carboidratos e gorduras. Como resultado, cresce a ocorrência de enfermidades relacionadas ao sobrepeso gerado pela alimentação inadequada.

Para se ter ideia do tamanho do problema, as mortes por diabetes cresceram 47% entre os anos de 1990 e 2006, quando passaram de 16,3 para 24 por 100 mil habitantes. Hoje no Brasil são 7,5 milhões de pessoas com a doença. Apesar de saber dos perigos do estilo de vida inadequado, a população está cada vez mais acomodada e se alimentando de fast food. Isso sem falar no sedentarismo que atinge mais de 60% da população, explica a pesquisadora especialista em diabetes do Hospital Universitário de Brasília, Jane Dullius.

A tese é corroborada pelo aumento no Índice de Massa Corporal (IMC), também apontado no estudo. De acordo com a publicação, que consolidou dados de mais de vinte anos do Sistema Único de Saúde, 43,3% das pessoas com mais de 18 anos que vivem nas capitais estão com sobrepeso. 

Coração

Mas se os hábitos estão deixando a população menos saudável, como explicar a queda de 20% nas mortes por doenças cardiovasculares entre 1990 e 2006 no Brasil?

A redução nos óbitos não quer dizer que a população não tem ficado doente, até porque aumentou em muito o número de hipertensos e diabéticos. A diferença é que os tratamentos mais agressivos e invasivos melhoraram a sobrevida das pessoas que chegam à emergência dos hospitais, avalia o cardiologista da Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Brick. A queda da mortalidade apesar do aumento da incidência é uma tendência mundial, completa.

Para o cardiologista e integrante do Conselho Diretor do Instituto do Coração (Incor), Protásio Lemos da Luz, a queda nas mortes por doenças cardiovasculares deve ser vista com cautela. Para ele, a curva de diminuição nos óbitos causados pelos problemas cardíacos ainda é pouco expressiva. Isso equivale a uma queda de apenas 1,4% por ano. Ainda vivemos uma epidemia, afirma.

Em 2006, 300 mil brasileiros morreram, quase 30% do total de óbitos no país naquele ano. Os dados fazem parte do Saúde Brasil 2008, publicação da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), que neste ano abrange os 20 anos do Sistema Único de Saúde (SUS). O documento foi lançado hoje em Brasília.

Para piorar, segundo o cardiologista, os fatores de risco associados à doenças cardiovasculares foram substituídos por fatores de risco para o diabetes. As pessoas deixaram de comer gordura e passaram a comer carboidratos. O resultado foi o crescimento da obesidade e, em consequência, do diabetes, avalia. Entre 1990 e 2006, houve um aumento de 47% nas mortes que tiveram a doença como fator base.

Apesar da crítica na análise dos dados, o médico aprovou a divulgação da consolidação dos dados do Ministério da Saúde. Até agora, trabalhávamos com dados apenas internacionais porque não havia estudo assim no país, argumenta. De acordo com ele, os números serão fundamentais para a definição de novos protocolos de pesquisa.

Vale destacar que, no Nordeste, os dados não caíram ¿ o que coloca em dúvida a qualidade da cobertura de saúde emergencial para a população. Enquanto as taxas de mortalidade para as doenças isquêmicas do coração caíram para todas as faixas etárias e ambos os sexos nas regiões Sul e Sudeste, na região Nordeste, foi registrado aumento de 1,4% ao ano. Das doenças isquêmicas, o infarto agudo do miocárdio corresponde a 6,7% da proporção de óbitos.

As mortes por doenças cardiovasculares ainda estão no topo da lista de óbitos no país. Em 2006, 300 mil pessoas morreram de problemas do coração, quase 30% do total. As mortes especificamente por doenças cerebrovasculares tiveram redução ainda maior, de 30,9% no mesmo período, quando passou de 64,5 por 100 mil habitantes para 44,6 por 100 mil habitantes.

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