Maioria da população não tem esgoto tratado, diz pesquisa

Estudo mostra que apesar da realidade preocupante, aumento dos investimentos no setor são significativos nos últimos anos

iG São Paulo |

Os investimentos para melhoria e expansão da rede de abastecimento de água aumentaram, em média, 12% ao ano no período de 2003 a 2008, passando de R$ 1,3 bilhão para R$ 2,2 bilhões. Mesmo assim, baseado em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento do Ministério das Cidades,  57% da população brasileira ainda não têm acesso a esgoto tratado e 19% não contam com o abastecimento de água.

O estudo Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento Brasileiro foi divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com relação à rede de esgotos, o ritmo de crescimento ficou pouco abaixo da rede de abastecimento de água, na média de 7,5% ao ano (R$ 1,8 bilhões em 2003 para R$ 2,6 bilhões em 2008).

A pesquisa ainda revela que a implantação da rede de esgoto reflete positivamente na qualidade de vida do trabalhador gerando o aumento da sua produtividade e da renda, além de contribuir para a valorização dos imóveis. "A evolução do setor é inquestionável, mas o déficit continua. Os investimentos precisam se crescentes para reduzir o número de brasileiros que ainda não tem acesso ao saneamento básico", esclarece o presidente do Trata Brasil, André Castro.

A pesquisa revela ainda que, por ano, 217 mil trabalhadores precisaram se afastar de suas atividades devido a problemas gastrointestinais ligados a falta de saneamento. A cada afastamento perde-se 17 horas de trabalho em média. A probabilidade de uma pessoa com acesso a rede de esgoto faltar as suas atividades por diarréia é 19,2% menor que uma pessoa que não tem acesso à rede. Considerando o valor médio da hora de trabalho no País de R$ 5,70 e apenas os afastamentos provocados apenas pela falta de saneamento básico, os custos chegam a R$ 238 milhões por ano em horas-pagas e não trabalhadas.

Por outro lado, ao ter acesso à rede de esgoto, um trabalhador aumenta sua produtividade em 13,3% permitindo assim o crescimento de sua renda na mesma proporção. A estimativa é que a massa de salários, que hoje gira em torno de R$ 1,1 trilhão, se eleve em 3,8%, provocando um aumento na renda de R$ 41,5 bilhões por ano.

O estudo também apurou que em 2009, de acordo com o Datasus, dos 462 mil pacientes internados por infecções gastrointestinais, 2.101 morreram no hospital. Cada internação custa, em média, R$ 350,00. "Com a universalização do acesso a rede de esgoto teríamos uma economia de R$ 745 milhões em internações ao longo dos anos. Com o acesso universal ao saneamento, haveria uma redução de 25% no número de internações e de 65% na mortalidade, ou seja, 1.277 vidas seriam salvas.", afirma Fernando Garcia, coordenador da pesquisa da FGV.

A universalização do acesso à rede de esgoto pode ainda proporcionar uma valorização média de até 18% no valor dos imóveis. O trabalho adianta que os avanços na qualificação do espaço urbano provocados pelos investimentos em infraestrutura implicam a valorização dos imóveis principalmente nos pertencentes às famílias de menor rendimento, cuja moradia é quase que exclusivamente o único patrimônio.

*com informações da Agência Brasil

    Leia tudo sobre: esgotoabastecimento de água

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG