Maior problema do País é ter pobreza crônica, diz Dilma

Presidenta fez a declaração durante discurso na solenidade de lançamento do Plano Brasil sem Miséria

AE |

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Em meio às denúncias de enriquecimento ilícito do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, a presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que a crise mais permanente é a pobreza. "Se somos capazes de dar atenção a problemas e crises, não podemos esquecer da crise mais permanente, do problema maior e mais angustiante, que é termos a pobreza crônica instalada no País", afirmou. 

Agência Brasil
A presidenta Dilma Rousseff, o vice Michel Temer e ministros durante lançamento do programa nesta quinta-feira
Ela fez a declaração no discurso lido na solenidade de lançamento do Plano Brasil sem Miséria , no Palácio do Planalto. Palocci participou do evento, mas não fez discurso nem deu entrevista. Já Dilma, em sua fala, citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva duas vezes e ressaltou o empenho do atual governo para tirar da pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas. 

Foi no momento em que falava desse combate à miséria, na solenidade em que as atenções estavam voltadas para Palocci, que a presidente frisou que os desafios não a imobilizam e não a tornam uma refém. "Sempre foram eles (desafios) que me fizeram avançar na vida e nenhum de nós pode se tornar refém do medo e da timidez", afirmou. "Somos reféns de nossos sonhos e de nossos compromissos com o Brasil. Por isso, tenho certeza que vamos juntos vencer estes desafios." 

Dilma ressaltou que o governo conta com a participação de governadores, prefeitos e da iniciativa privada para garantir os resultados que espera do plano. "Não aceitamos fatalismo de que a miséria existe em toda sociedade. Isso não é realismo, é cinismo", disse. 

Outras ações

A presidente Dilma Rousseff disse que o Plano Brasil sem Miséria complementa outras ações de governo para o desenvolvimento do País. Ela citou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o Minha Casa Minha Vida, medidas de combate à inflação e o aumento da oferta de emprego. 

Dilma ressaltou que a política econômica do atual governo dá sustentação e é sustentada por uma política de combate à miséria. Ela afirmou que, na presidência, está aperfeiçoando um modelo de desenvolvimento que ajudou a construir na época em que foi ministra do governo Lula. A presidente disse que esse modelo mostra um compromisso "profundo" do governo com os mais pobres e com a classe média. Ela avaliou ainda que o combate à pobreza é um passo importante, mas não o único para o desenvolvimento do País. 

A presidente afirmou ser necessário implementar outras ações, especialmente em "áreas sofisticadas" como o setor de pesquisas científicas e tecnológicas. Dilma informou que o governo pretende, nos próximos dias, apresentar uma campanha de divulgação do Plano Brasil sem Miséria. "Como é tarefa de todos, vamos fazer campanha de mobilização, sem apelos gratuitos e sem dramatizar a miséria". 

Segundo Dilma, o plano difere de ações anteriores na área ao fazer com que o Estado vá atrás dos mais pobres, e não o contrário. "Não vamos mais esperar que os pobres corram atrás do Estado brasileiro. O Estado brasileiro é que deve correr atrás dos pobres". 

Dilma disse esperar que ações do plano, como a qualificação profissional, a oferta de crédito e incentivos agrícolas para os beneficiados na área rural, possam permitir que as pessoas deixem o Bolsa Família mais rapidamente.

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