O mais recente estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em São Paulo constatou um enorme contraste entre a sensação de insegurança nas comunidades carentes e o incentivo familiar aos estudos e à formação profissional dos jovens. A

 pesquisa "Plataforma dos Centros Urbanos" é uma espécie de raio X da percepção das condições de vida de crianças e adolescentes residentes em 55 bairros de alta vulnerabilidade social da capital paulista e de Itaquaquecetuba.

No total, 4.331 pessoas - entre jovens, moradores, lideranças e autoridades governamentais - foram entrevistadas para opinar sobre temas como saúde, educação, violência e políticas públicas em sua própria comunidade. De longe, segurança foi o item mais mal avaliado no apanhado global das respostas.

Mais da metade dos entrevistados adultos (58%) considerou a situação atual ruim ou péssima e ainda mais gente (70%) afirmou que a segurança está estável ou piorando. Entre as perguntas desse item, o destaque negativo ficou com o relacionamento entre a comunidade e a polícia: a nota, 2,9, numa escala de zero a dez, foi a pior de todos os tópicos que compunham o questionário.

O que talvez impressione quem pensa que a violência nas periferias começa dentro de casa foi a boa avaliação feita pelos próprios adolescentes do seu relacionamento com seus responsáveis. Entre os itens de qualidade de vida mais bem avaliados pelos jovens estão a importância dada pelos pais à escola (9), seu incentivo para que os filhos aprimorem a formação profissional (8,2) e a segurança no ambiente familiar (8).

Saúde

Se a violência teve as piores notas entre todos os campos, o item mais bem visto pela população foi as condições de saúde dos bebês e crianças de até 6 anos. Seis dos dez quesitos mais bem avaliados de todo o questionário pertencem a esse grupo. Para a médica sanitarista e coordenadora do Programa de Saúde da Mulher do Estado de São Paulo, Tânia Lago, o resultado reflete o acerto das políticas federais, estaduais e municipais de acompanhamento pré-natal.

Outros dados que chamam a atenção são os relativos à higiene e à qualidade de vida das comunidades. Jovens reclamam da qualidade do ar que respiram (3,8), da limpeza dos banheiros das escolas e da iluminação pública (ambas notas 4,3). As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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