Londres, 15 jan (EFE).- A grande frustração de Stanley Kubrick foi não ter feito o filme sobre Napoleão, projeto abandonado no final dos anos 60 pelos estúdios MGM devido, entre outras razões, ao custo que não parava de aumentar.

"Stanley ficou muito infeliz ao saber que não o realizaria", lembra o suíço Jan Harlan, cunhado do diretor em declarações ao jornal britânico "The Independent" por ocasião da publicação de uma edição limitada de dez tomos de "Napoleon: The Greatest Movie Never Made", à venda por 450 libras (504 euros).

Deprimido, Kubrick se dedicou a outros projetos que veria realizados como "Barry Lyndon", "O iluminado", "Nascido para matar", assim como a adaptação do relato do austríaco Arthur Schnitzler "Traumnovelle", que terminaria em 1999 sob o título de "De olhos bem fechados", o último de sua carreira.

Harlan, que foi ajudante de Kubrick no filme "Laranja mecânica", afirma que o cineasta sempre se interessou pela observação da loucura humana e "Napoleão era o tema ideal".

"Costumava dizer que atuamos sempre obedecendo a nossas emoções e que é uma vã ilusão crer que somos guiados pelo pensamento racional", lembra.

A viúva do diretor, Christiane, explica que era difícil para o marido compreender como um homem tão inteligente como Napoleão se deixou seduzir pela fútil Josefina e como pôde equivocar-se tanto com a campanha da Rússia, que precipitou sua queda.

"Quando Stanley era jovem, jogava xadrez por dinheiro em Nova York", afirma Christiane, segundo a qual seu marido opinava que "Napoleão teria aprendido a se controlar por ter sabido jogar xadrez. Stanley achava que se alguém se deixa guiar demais pelas emoções, acaba derrotado". EFE jr/sa

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