Magela ameaça enfrentar Agnelo e embaralha o PT de Brasília

A presença dos representantes dos diretórios estaduais no 4º Congresso Nacional do PT será uma oportunidade para direção nacional tentar organizar o partido nos estados onde ainda enfrenta problemas.

Fred Raposo e Priscilla Borges, iG Brasília |

Por exemplo, em Brasília, era dado como certa a candidatura de Agnelo Queiroz a governador pela legenda, com o apoio do Palácio do Planalto.

Seguro da vaga, Agnelo, que era do PC do B, decidiu mudar-se para o ninho petista.

Mas agora, com o governador José Roberto Arruda (sem partido) preso e seus aliados do DEM e do PSDB enfraquecidos, inclusive o vice-governador Paulo Octavio, o PT passou a ser favorito nas eleições para Executivo estadual de 2010.

Com isso, o deputado Geraldo Magela, que foi derrotado nas eleições passadas para governador, resolveu recolocar sua candidatura em debate. Magela circulou no Congresso Nacional do PT deixando claro que pretende disputar as prévias contra Agnelo Queiroz.

Agnelo tem o apoio da cúpula o partido, mas é novato na legenda. A candidatura Magela é, portanto, ameaçadora: ele tem maior penetração entre os militantes de base petistas.

"O PT tem uma boa oportunidade nessas eleições, mas tem que acertar na tática e tem que acertar no nome. Se as duas candidaturas se mantiverem até o Congresso regional vai haver uma prévia. Então vamos fazer esse debate", disse Magela ao iG.

O deputado, no entanto, jura que não pretende criar problemas: "Se eu colocar a minha candidatura, vai ser com a convicção de que é para ajudar, não para dividir o partido".

Agnelo diz que, caso Magela confirme sua candidatura, estará quebrando acordo firmado por ambos em novembro do ano passado. "Combinamos que eu seria o candidato ao governo do DF e Magela, ao Senado. Isto estava definido. Se ele se candidatar a governador, vai quebrar o acordo e a minha confiança na sua palavra. E político que não tem palavra não presta", disparou.

O ex-ministro reforçou que sua candidatura "está firmíssima". "Não sou candidato próprio, sou candidato do partido, escolhido por consenso". Para Agnelo, uma prévia em março significa "gasto de energia" desnecessário.

"O PT está se esforçando em todos os estados para resolver as candidaturas sem precisar fazer prévias. É perder tempo. Em vez disso, deveríamos mostrar um plano de governo e buscar o apoio da sociedade", assinala Agnelo. "Apesar do descrédito grande, queremos mostrar que nem todo mundo é igual. O foco é melhorar a situação da cidade".

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