Máfia teria negociado vaga de secretário da Saúde

SÃO PAULO - A Polícia Civil de São Paulo, que desarticulou nesta quinta-feira, na Operação Parasitas, uma quadrilha especializada em fraudar licitações em hospitais públicos, diz ter flagrado a máfia negociando o cargo de secretário de Saúde de uma cidade do interior. O nome do município não foi revelado, mas a compra do cargo - a ser ocupado a partir de 2009, com a posse do prefeito eleito - teria sido feita em troca de uma contribuição de R$ 200 mil para a campanha do candidato nas últimas eleições municipais.

Redação com Agência Estado |

Acordo Ortográfico A organização criminosa, segundo o Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap) e promotores do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), mantinha um controle da política nos 29 municípios com os quais fazia negócios. Em interceptações telefônicas, os policiais constataram que 22 candidatos que o grupo considerava simpáticos a seus interesses venceram as últimas eleições.

O relatório da inteligência policial mostra que os investigadores flagraram o que chamam de "disponibilidade em oferecer favores e gentilezas para os representantes do Executivo e do Legislativo". Segundo o relatório, no entanto, as escutas mostram candidatos a prefeito "solicitando apoio financeiro para as campanhas" e até mesmo o uso de helicóptero para os deslocamentos de políticos, tanto a trabalho quanto a lazer.

"Não há um partido específico. Há empresas que procuram administrações municipais sem escolher coloração partidária", disse o promotor José Reinaldo Guimarães.

Partidos

Os investigadores não têm dúvidas: o esquema era suprapartidário. O jornal "O Estado de São Paulo" teve acesso aos nomes de 15 das 29 prefeituras em que a organização atuaria, de acordo com os policiais do Decap e promotores do Gaeco. O cenário das fraudes mostra envolvimento do grupo com prefeituras comandadas por PMDB, PSDB, PV, PDT, PT, PP, DEM, PTB e PSB.

Pregões eletrônicos

Os suspeitos teriam se infiltrado até nos pregões eletrônicos do governo estadual , segundo a polícia. O indício mais nítido de manipulação do resultado do certame foi obtido pelos auditores da Secretaria da Fazenda em uma oferta para a compra de soro (cloreto de sódio a 0,9%) em setembro do ano passado.

A empresa vencedora venceu a licitação com um preço 408% superior ao menor lance. A suspeita é de que pregoeiros e funcionários de hospitais recebessem propina para favorecer determinadas empresas.

Operação Parasitas

Cinco empresários foram presos nesta quinta-feira, em São Paulo, acusados de envolvimento em uma quadrilha que fraudava licitações para a venda de equipamentos e remédios para hospitais públicos do Estado de São Paulo. A ação desviou mais de R$ 100 milhões dos cofres públicos.

Segundo o delegado Luiz Storn, do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), os cinco envolvidos serão indiciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, sonegação de impostos e formação de quadrilha. Eles tiveram suas contas bancárias bloqueadas pela justiça de São Paulo.  

As investigações indicam que a quadrilha arrecadou cerca de R$ 56 milhões em licitações fraudadas junto à secretaria estadual de Saúde de São Paulo. Já nas negociações com as secretarias municipais, Storn diz que ainda não é possível calcular o tamanho do rombo, mas ele deve ultrapassar a casa dos R$ 100 milhões.

Segundo o delegado Storn, as empresas entravam em licitações públicas com um acordo para ofertar preços acima do mercado. Funcionários do departamento de licitações das secretarias seriam subornados para desclassificar empresários que não participavam da operação.

A vencedora da disputa, além de fraudar os valores, ainda oferecia material hospital de qualidade duvidosa. As investigações indicam que cateteres foram comprados na China e destinados a hospitais públicos de São Paulo. Até mesmo o soro utilizado em enfermarias seria alvo dos fraudadores.

Além dos municípios de São Paulo, a polícia investiga a ação do grupo em cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás.

O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil informam que a quadrilha venceu licitações no Hospital das Clínicas de São Paulo (HC-SP), no Pérola Byngton, no Instituto Dante Pazzanese e nos hospitais municipais do Jabaquara, Cachoeirinha e Sabóia. No total, 10 centros de saúde estariam na lista dos fraudadores.

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