Máfia da saúde é acusada de fraudar pregão eletrônico

A máfia acusada de fraudar licitações na área da saúde, que teria desviado cerca de R$ 100 milhões dos cofres públicos e foi desbaratada ontem pela Operação Parasitas, da Polícia Civil de São Paulo, teria se infiltrado até nos pregões eletrônicos do governo estadual. O indício mais nítido de manipulação do resultado do certame foi obtido pelos auditores da Secretaria da Fazenda em uma oferta para a compra de soro (cloreto de sódio a 0,9%) em setembro do ano passado.

Agência Estado |

A empresa vencedora venceu a licitação com um preço 408% superior ao menor lance. A suspeita é de que pregoeiros e funcionários de hospitais recebessem propina para favorecer determinadas empresas.

As negociações começavam antes mesmo do anúncio dos pregões. Emissários de indústrias de insumos hospitalares e representantes comerciais procuravam os servidores públicos e acertavam valores e o resultado das licitações. Numa segunda fase, cada um dos interessados oferecia seus preços. No caso do soro, por exemplo, seis distribuidores participaram do certame investigado pela Operação Parasitas.

Era na fase de apresentação de recursos que o pregoeiro começava a agir a favor do esquema. De uma só vez, as três primeiras colocadas foram eliminadas da disputa. A alegação foi de que tinham cotado produtos em desconformidade com o edital. Na etapa seguinte, de julgamento, outras duas "concorrentes" foram desclassificadas por desistência. Um empresa acabou homologada como vencedora do pregão, mesmo tendo oferecido o maior preço. "Como a maioria das distribuidoras pertencia à fabricante, ela na verdade concorria com ela mesma", explicou o promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) da capital. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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