Mães do Morro da Providência devem entrar com pedido de indenização à União

RIO DE JANEIRO - O advogado dos familiares dos jovens entregues pelo Exército a traficantes do Morro da Mineira, João Tancredo, deve entrar nesta quinta-feira com pedido de indenização à União.

Redação com agências |

Ele vai solicitar também à Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República tratamento psicológico para os parentes dos três jovens assassinados. João Tancredo deve entrar ainda com requerimento de proteção de duas testemunhas do caso.

Reconstrução das casas

AE/Wilton Junior
Militares patrulham o Morro da Providência
O juiz Fábio Uchôa do Tribunal Regional Eleitora do Rio autorizou nesta quarta-feira que os moradores do Morro da Providência façam um mutirão em parceria com a Construtora Edil - que venceu a licitação feita pelo Comando Militar do Leste para execução do Projeto Cimento Social - para concluir a reforma em 32 casas que estão inabitadas por falta de embolço (revestimento para vedação) e telhados.

Segundo a assessoria de imprensa do TRE-RJ, o embargo ao projeto de reformar mais de 700 casas, considerado de "cunho eleitoral" continua.

De acordo com decisão do juiz tomada nesta terça, a obra beneficia o senador e pré-candidato do Rio Marcelo Crivella (PRB), em detrimento dos demais interessados no pleito de 2008. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa do órgão, caso seja comprovado que o projeto é de interesse da comunidade ele pode ser retomado, após as Eleições.

A decisão de liberar a reforma das 32 casas foi tomada depois de reunião do juiz com a presidente da Associação de Moradores do Morro da Providência, Vera Melo. Pela manhã, o presidente do TRE-RJ, desembargador Roberto Wider, já havia defendido uma solução para o caso que beneficiasse os moradores.

O caso

AE/Marcos DPaula
Policiais do Exército e moradores em confronto
Marcos Paulo da Silva, de 17 anos, Wellington Gonzaga Costa, 19, e David Wilson Florença da Silva, 24, moradores do Morro da Providência, na Zona Portuária do Rio, teriam sido entregues no sábado, dia 14, e mortos, menos de 12 horas depois, por traficantes do Morro da Mineira, no Catumbi.

Em depoimento ao titular da 4ª Delegacia de Polícia, delegado Ricardo Dominguez, alguns dos suspeitos teriam confessado o crime. Os jovens foram detidos pelos militares às 7h30 do sábado, quando voltavam de táxi de um baile funk, por desacato. Porém, o comandante da tropa determinou que eles fossem liberados após serem ouvidos.

Testemunhas afirmam que os rapazes ficaram sob o poder dos militares até as 11h30 e depois foram entregues a traficantes de uma facção rival a do Morro da Providência, onde os rapazes moravam, no Morro da Mineira, onde foram executados. Há denúncias de que as vítimas teriam sido vendidas por R$ 60 mil.

De acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML), Wellington teve as mãos amarradas e o corpo perfurado por vários tiros. David teve um dos braços quase decepado e também foi baleado. Marcos Paulo morreu com um tiro no peito e foi arrastado pela favela com as pernas amarradas. Os corpos foram encontrados no lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

(com informações da Agência Brasil)

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