Mães de bebês trocados passam fim de semana juntas

Crianças trocadas há mais de um ano de hospital de Goiânia devem ser destrocadas ainda esta semana

Lecticia Maggi, iG São Paulo |

A vendedora K.C.S.F, de 22 anos, e a dona de casa E.G.O., de 28, que tiveram os filhos trocados há pouco mais de um ano no Hospital Santa Lúcia, em Goiânia (GO), passaram o final de semana juntas. As informações foram passadas ao iG pelo pai de E.G., Antônio Divino de Oliveira. Segundo ele, a intenção é que a troca seja menos traumática para todos.

“É uma coisa muito difícil, virou um misto de alegria e tristeza. Está saindo um bebê que convivemos, pegamos afeto e gostamos muito”, afirma. Oliveira conta que tanto a filha como o restante da família nunca desconfiou de que o menino que estava com ela não fosse seu filho biológico. “Ele é até parecido com a irmãzinha”, diz, referindo-se à neta.

O advogado de E.G. confirma que foi “um grande choque “ para a sua cliente a descoberta. “No entender deles, o menino tinha características da família. Nada chamava a atenção dela a ponto de achar que não fosse o filho”, explica. As mães, agora, conforme eles, querem conviver mais para não perder o vínculo com as crianças. E.G., ainda amamenta o bebê que acreditava ser seu filho.

O resultado do exame de DNA confirmando que os meninos realmente foram trocados foi divulgado na última sexta-feira, dia 30. O juiz Maurício Porfírio, da Vara da Infância e Juventude de Goiânia, aguarda o inquérito conduzido pela delegada Adriana Accorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, para realizar a destroca. Ela pode acontecer ainda na tarde desta segunda-feira.

Indenização

O advogado de K.C, Fernando Dias Martins, afirmou que pretende entrar com um pedido de indenização por danos morais contra o Hospital, ainda esta semana. O valor não foi especificado.

Segundo ele, K.C., que chegou a declarar à imprensa que não gostaria de destrocar as crianças, está mais “consciente” de que a troca é necessária. “Elas já se acordaram, mas a K. ainda está bastante confusa, dividida entre o amor do filho que criou até agora e o do filho biológico”, diz.

O caso

K.C. resolveu realizar um exame de DNA no filho após a separar-se do marido, que a acusava de traição e acreditava que ele não era o pai da criança. O bebê tem a pele bem mais clara que o restante da família. A vendedora tambpem diz ter sido alvo de humilhações na própria vizinhança e no local em que trabalha.

A supresa aconteceu quando o exame mostrou que nem mesmo ela era a mãe do filho que criava. A jovem procurou o hospital, que comunicou o fato à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.
A diretoria do hospital fez um levantamento das mulheres que deram à luz no dia 25 de março de 2009, o mesmo dia de K., e chegou até a dona de casa. Após o exame, houve a comprovação do erro.

Essa é a segunda troca de bebês no hospital Santa Lúcia em quatro meses. Segundo a delegada Adriana Accorsi, houve uma sucessão de erros, desde a hora de colocação das pulseirinhas de identificação até a realização do exame do pezinho. Três enfermeiras devem indiciadas pelo caso.

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