A faxineira Josiane Ferraz, de 31 anos, acorrentou o filho de 13, viciado em crack, no quarto da casa da família em Piracicaba (SP) e responderá pelo suposto crime de maus-tratos. Josiane vai responder o processo em liberdade e disse que um ato de desespero a levou a deixar o filho preso.

"É triste, mas é desespero de mãe de ver o filho nesse estado e agressivo ao ponto de falar que vai matar a gente", afirmou a mulher.

Ontem, ela foi ouvida pela equipe do Conselho Tutelar de Piracicaba. De acordo com a coordenadora do conselho, Regina Maria Mei Cantinho, responsáveis por uma clínica particular da região ofereceram vaga para tratar o garoto, que deve ser levado para a instituição amanhã. O menino usa a droga há cerca de um ano e já cometeu roubos para conseguir trocar produtos por crack.

Segundo informou Regina, a família foi atendida pela primeira vez em 2008 e, recentemente, a mãe do garoto buscou ajuda no conselho, mas não deu prosseguimento às orientações. "Em 2008 ela (Josiane) nos procurou e disse que deixaria o filho com o pai, em São Paulo. No mesmo ano ela apresentou a rematrícula do menino, o que indicava que ele permaneceria com ela", conta Regina.

"Em maio de 2009 a mãe procurou o conselho pedindo ajuda e orientação porque ele estava envolvido com drogas. Fizemos requisição de um psiquiatra especialista em crianças e adolescentes usuários de drogas e ele disse que era necessário tratamento protegido (internação em clínica)", afirmou a conselheira.

Josiane informou o conselho, na ocasião, que optaria por um tratamento particular para o filho. Neste ano, os conselheiros foram procurados novamente, mas mesmo tendo marcado horário para encontro no conselho a mãe não compareceu. "Ela procurou o promotor diretamente e como viu que seria demorado conseguir um tratamento por via judicial, já que a Promotoria não tinha o histórico do menino, desesperou-se", disse a coordenadora do conselho. "Mesmo sendo um ato de desespero de uma mãe, acorrentar o menino é crime."

O garoto foi levado na terça-feira para o pronto-socorro municipal, atendido e medicado, e liberado à meia-noite, a pedido da mãe. O menino passou o dia em casa, sob efeito de remédios. O conselho tutelar não informou em qual cidade fica a clínica para a qual o adolescente será levado. Piracicaba não possui instituições do gênero e a mais próxima fica a 40 quilômetros de distância.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.