Mãe e filha: uma bela e difícil relação

Mãe e filha: uma bela e difícil relação Por Léa Michaan* A relação entre mãe e filha começa a partir do momento em que a mulher descobre estar grávida de uma menina. Desde este momento, começam as projeções repletas de sonhos, expectativas, fantasias e desejos sobre a bebê que ainda nem chegou ao mundo.

Agência Estado |

Quando a filha nasce, ela já está carregada de projetos e incumbências, muitas vezes inconscientes. Portanto, às mães que estão tendo contato com este conhecimento, é bom que saibam: ter consciência disso já é o primeiro passo para aliviar a carga tanto das 'pequenas' que estão chegando ao mundo, como daquelas filhas que vieram recentemente ou há poucos anos, amenizando a pressão dos desejos maternos.

De um modo geral, a tarefa da mãe é ajudar a filha a se desprender e ir em busca de suas próprias realizações. Porém, mães também são humanas e nem todas atingem tal maturidade. Dessa forma, genitoras que não são suficientemente maduras e resolvidas quanto aos seus desejos e emoções apresentam grande dificuldade nesta tarefa.

O que fazer nestes casos para resgatar a relação? Em primeiro lugar, é útil que as duas possam ter em mente que, apesar da proximidade da relação, cada uma é um ser diferente e separado da outra. A partir desta conscientização, mãe e filha começam a ter um espaço para se realizar individualmente. Há uma separação entre a expectativa da mãe e o que a filha pode ser. Se uma puder corresponder às expectativas da outra, muito bem; caso contrário, é uma boa oportunidade para aprender a lidar com as frustrações e perceber que elas existem não porque a filha não satisfez a mãe, mas por conta da intensidade dos desejos da primeira em relação à segunda.

Mesmo que a sua filha já seja adulta, casada, ou até já possua seus próprios filhos, este saber pode fazer toda a diferença para resgatar a boa relação ou melhorá-la ainda mais. Aceitá-la como ela é e poder olhar para a filha livre de toda a expectativa que colocamos nela, é poder amá-la, mesmo que seja bem diferente dos sonhos, desejos e expectativas que, muitas vezes, vislumbramos.

*Dra. Léa Michaan é Psicoterapeuta e Psicanalista, graduada em psicologia pela Universidade Mackenzie e Pós-graduada em Psicoterapia Psicanalítica pela Universidade de São Paulo (USP).

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG