Maceió treina jangadeiros e fecha cerco a barracas irregulares

Passeio às piscinas naturais só podem ser feitas por pessoas com habilitação marítima, com colete salva-vida

Janaína Soares, especial para o iG |

O turismo é a segunda maior atividade econômica de Maceió. Por causa dessa importância, a cidade tem se preocupado cada vez mais com a higiene da sua orla e a segurança dos seus visitantes. O objetivo é evitar transtornos e danos à saúde para quem frequenta as suas praias e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos aos turistas. Isso significa, na prática, investimento em treinamento dos comerciantes e fiscalização redobrada. Não escaparam nem os tradicionais jangadeiros.

A orla do bairro da Pajuçara oferece o passeio de jangada às piscinas naturais. A travessia, feita por jangadas rústicas, atravessa os dois quilômetros entre a praia e os recifes. Ao chegar, o visitante pode aproveitar, por cerca de três horas, as águas cristalinas da Pajuçara, alimentar os peixinhos coloridos do local que, acostumados à presença humana, aproximam-se sem qualquer cerimônia e, claro, degustar as comidas e drinques servidos dentro d’água, por jangadas-restaurantes. Dependendo do nível da maré, se o programa for feito no horário da tarde, o turista pode terminar o seu dia assistindo ao pôr-do-sol, dentro do mar.

Porém, é preciso ficar atento e se informar se o jangadeiro tem certificação para trabalhar no local. “Os jangadeiros treinados têm cuidado com a alimentação e segurança dos clientes e sabem a hora certa de voltar às areias da praia. Já tivemos situações de a maré encher e grupos de turistas ficarem desesperados, já que as jangadas não têm capacidade para trafegar em alto mar”, lembrou Galvaci de Assis, chefe de fiscalização da Secretaria Municipal de Controle e Convívio Urbano.

O jangadeiro Adnaélson Borges lembrou que o cliente tem que exigir a apresentação da habilitação marítima, os seguros da embarcação e de acidentes pessoais e a documentação da jangada. “Além disso, cada embarcação tem que conter os coletes salva-vidas. No caso dos seguros de acidentes pessoais, se uma máquina fotográfica cair na água ou o cliente perder qualquer objeto, o seguro arca com o prejuízo”, esclareceu ele.

Na orla de Maceió não é permitido o passeio de bugues, lanchas e quadriciclos. Esse tipo de entretenimento só é liberado em praias mais distantes e com menor fluxo de banhistas. Além disso, os bugues e lanchas só podem ser guiados por profissionais capacitados, que tenham a carteira de habilitação concedida pela Capitania dos Portos.

Alimentação
Para cuidar da qualidade dos alimentos, a coordenação de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal de Saúde lançou, em novembro passado, o a operação “Verão com Saúde”. Semanalmente, equipes de inspeção sanitária percorrem toda a orla fiscalizando e orientando barraqueiros e ambulantes. “A intensificação das ações nessa época tem evitado a ocorrência de intoxicações alimentares. Os comerciantes e ambulantes absorvem as orientações e passam a se preocupar com a qualidade dos produtos que colocam à disposição do consumidor”, afirmou o coordenador da Vigilância Sanitária de Maceió, Ednaldo Balbino.

“Não adianta servir um alimento gostoso, de sabor e aroma agradáveis, aparência inofensiva e, depois, o consumidor ter diarréia, mal-estar ou vômitos”, explicou Rosa Almeida, proprietária de uma barraca à beira-mar. “É por isso que higienizamos sempre as mãos, lavamos bastante as frutas, verduras, refrigerantes e cervejas com água e cloro e toda comida é feita no dia, não deixamos nada de um dia para o outro. Se por acaso cozinharmos um alimento pela manhã e à tarde ele ainda estiver conosco, colocamos o produto na na geladeira pra servi-lo à noite. Mas nada de deixar para o dia seguinte”, conclui ela.

“Alimentos comprados de ambulantes ou de barracas de praia são sempre arriscados, principalmente quando não podemos dizer com precisão quais são as condições de higiene de seu preparo”, afirma Balbino. “Além disso, vendedores ambulantes de praia, com comida dentro de cestos expostos ao calor, correm o risco de estar vendendo um alimento que se deteriorou pelo tempo de exposição fora da geladeira. Por isso, procure se certificar se a barraca recebeu visita recente da Vigilância, se o ambulante foi capacitado e peça para ver a cozinha do restaurante ou o recipiente onde está guardada a comida. Assim, você pode se proteger melhor”, finaliza.

Balbino ainda lembra que, nos casos das barracas, se o cliente sofrer uma infecção intestinal por conta de ingestão de algum alimento estragado, ele pode procurar a Justiça para processar o empresário. “Já tivemos casos de consumidores que ficaram internados porque passaram mal e eles fizeram os exames necessários para comprovar a infecção. Com as provas nas mãos, processaram o estabelecimento e ganharam a causa”, destacou.


Regularização das barracas
Na orla de Maceió, existem cerca de 30 barracas. Até o ano passado, elas estavam instaladas de forma desordenada. Porém, uma ação civil pública ambiental do Ministério Público Federal obrigou a Prefeitura de Maceió a realizar licitação, o que exigiu dos empresários o cumprimento de uma série de normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Com a realização da licitação, todas as barracas foram obrigadas a cumprir o que determina a legislação federal. “Antes da licitação, constatamos diversas irregularidades. Havia ocupação de áreas de preservação permanente e de terrenos de marinha por barracas e quiosques. Algumas delas, inclusive, estavam instaladas dentro da praia, criando obstáculos para o acesso e para a vista do mar. Como se não bastasse, alguns empreendimentos despejavam seus esgotos na praia, tornando as águas do mar poluídas e com alto grau de contaminação por coliformes fecais. Agora, a realidade é outra”, explicou a procuradora da República Niedja Káspary, autora da ação.

O projeto de reurbanização custou R$ 11 milhões. Foram construídos jardins, praças, ciclovia e pista para caminhada. E, no calçadão, todos os empreendimentos comerciais só estão instalados atualmente porque participaram de concorrência pública.

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