Um em cada três táxis de São Luís é clandestino

Cerca de 800 veículos que prestam serviços de táxi na capital do Maranhão são piratas

Wilson Lima, iG Maranhão |

Dados do Sindicato dos Taxistas de São Luís apontam que pelo menos 30% dos taxis que circulam hoje na capital maranhense são clandestinos. Diante desse número, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) de São Luís iniciou uma operação contra a pirataria no setor e aproximadamente 70 veículos foram apreendidos em duas semanas por fazer transporte ilegal de passageiros.

Divulgação
Táxis piratas apreendidos pela Prefeitura de São Luís: vale qualquer cor, vale qualquer placa
Segundo o Sindicato dos Taxistas, pelo menos 800 veículos realizam transporte remunerado de passageiros de forma ilegal. Hoje, a frota de táxis legalizados em São Luís é de 2 mil veículos. Há cinco anos, o número de taxistas ilegais estimado pelo Sindicato dos Taxistas era de 300 veículos clandestinos. Um crescimento superior a 150% no período.

Entre estes táxis piratas estão pessoas que usam carros particulares com placa cinza para transportar pessoas sem autorização, taxistas que fraudam documentos e taxistas que conseguem se infiltrar ilegalmente nas cooperativas e empresas de táxis da capital maranhense. Alguns simplesmente pintam as placas de veículos com o intuito de burlar a fiscalização, usam carros brancos para confundir os passageiros e outros criam terminais paralelos.

Alguns deles se especializaram em realizar o transporte de passageiros entre o centro da capital maranhense e bairros da zona periférica. No centro da cidade, em um local chamado Anel Viário, vários motoristas oferecem serviços de transporte remunerado de passageiros como se existisse ali um “terminal de passageiros” legalizado. Alguns destes condutores já pediram autorização da prefeitura para trabalhar legalmente, mas o pedido foi negado. “O consumidor é quem perde com isso. Ele pode pegar um táxi ilegal e, se acontecer algo com ele, o cliente não tem como reclamar”, declarou o presidente do Sindicato dos Taxistas, José Antônio Pereira.

Placa no mercado negro

Segundo os taxistas, uma das razões pelas quais os motorista vão para a clandestinidade é a lucratividade do negócio: a demanda pelos serviços é grande e a criação de novas vagas não existe. Há dez anos não são criadas novas concessões para trabalhar com táxi em São Luís. Na fila de espera do Sindicato dos Taxistas existem pelo menos 2,6 mil condutores que esperam a oportunidade de conseguir uma autorização para táxi. Por causa desta demanda por novas licenças da prefeitura, uma “placa de táxi” vale hoje, no mercado negro, até R$ 35 mil. A venda é ilegal.

A prefeitura de São Luís afirma que vem realizando operações sistemáticas para combater a pirataria no setor. Um total de 24 agentes de trânsito, com a ajuda da Polícia Militar e Guarda Municipal, intensificaram as operações desde o início de agosto. Entre a terceira e quarta semanas de agosto, 70 carros foram apreendidos. Porém, como a própria SMTT reconhece, os “piratas” foram trabalhar em outras áreas, mais afastadas do centro.

O condutor que for flagrado realizando transporte irregular de passageiros é passível de multa pelo Código Tributário do Município de São Luís no valor de R$ 2 mil. Além disso, seu veículo é apreendido e somente será liberado após o pagamento desta multa e dos custos com estacionamento e guincho.

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