Sem sucesso, Maranhão tenta há 9 meses acabar com sua cracolândia

Um dos mais atingidos pela epidemia do crack, Estado vem tentando acabar com ponto de consumo em sua capital, São Luís

Wilson Lima, iG Maranhão |

A cena é desoladora. Enquanto dezenas de comerciantes e feirantes começam mais um dia de trabalho, outras dezenas de usuários de droga vagam pelas ruas do bairro João Paulo, na região central de São Luís, em busca de pedras de crack.

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Divulgação
Usuários de crack em São Luís, capital do Maranhão
Pessoas que andam pela região normalmente são abordadas por viciados. Os comerciantes são coagidos e furtados tanto pelos traficantes quanto pelos usuários - muitos deles claramente alucinados, fora de si.

Nem mesmo a presença da Polícia Militar no local parece intimidar tanto usuários quanto traficantes. Isso porque, a cada passagem de uma viatura da PM, usuários e traficantes se escondem nos becos e vielas que são acesso à chamada cracolândia de São Luís. Literalmente, um jogo de pega-pega.

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Apenas no ano passado, a avenida Projetada, no João Paulo, onde está situada a cracolândia maranhense, sofreu duas intervenções da Polícia Civil. Um total de 46 viciados foram encaminhados a centros de tratamento de São Luís e seis traficantes foram presos. Mesmo após duas intervenções, a cracolândia de São Luís não acabou nem dá sinais de que possa acabar.

A primeira operação ocorreu em abril do ano passado, quando 28 usuários foram encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial, Álcool e Outras Drogas (Caps/AD), do bairro São Raimundo, na periferia de São Luís. Quatro traficantes foram presos. No dia seguinte à operação, quase todos os usuários voltaram para o mesmo local. Três dias depois, a polícia fez uma das maiores apreensões de crack de 2011: 200 pedras da droga, com um único traficante.

Em novembro do ano passado, nova operação. Dois traficantes que assumiram o comércio de drogas na região foram presos. Detalhe: eles eram dois dos 28 usuários recolhidos. Com a prisão dos chefões do tráfico em abril, os dois antes usuários passaram a traficar para novos viciados. A operação de novembro prendeu 18 usuários de drogas que novamente foram encaminhados ara o Caps/AD do São Raimundo. Nas duas operações, foram recolhidos cachimbos artesanais, isqueiros e aparelhos celulares. Nas duas a Polícia Civil do Maranhão encontrou adolescentes, crianças e mulheres grávidas.

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Especialistas em tratamento de viciados no Maranhão apontam que, assim como ocorre em São Paulo, não basta apenas uma intervenção da Polícia Civil ou Militar. É necessário que os usuários queiram deixar o vício e sejam ajudados a largá-l0. Além disso, muitas pessoas que vivem na cracolândia trabalham como ajudante de feirantes ou vivem de bicos na comunidade e, com esse dinheiro, sustentam o seu vício. A cracolândia também está incorporada à rotina da cidade. 

Também da mesma forma como vem ocorrendo em São Paulo, a repressão do uso de crack em um local incentivou o surgimento de outras cracolândias em bairros da zona periférica como Anjo da Guarda, Liberdade, Forquilha, Cidade Operária e Cidade Olímpica.

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