Sede da Comissão Pastoral da Terra é arrombada no Maranhão

Apesar da invasão, nada foi levado do prédio. Padres suspeitam que ato tenha sido motivado por protestos da entidade em favor de quilombolas

Wilson Lima, iG Maranhão |

A sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão, localizada no centro de São Luís, foi arrombada neste final de semana. A principal suspeita da entidade é que o ato foi uma tentativa de intimidação contra as recentes manifestações organizadas pela CPT pedindo maior segurança para comunidades quilombolas no Maranhão. No Estado, 30 líderes quilombolas são ameaçados de morte.

O arrombamento aconteceu no domingo. Na manhã de segunda-feira, os líderes da CPT no Maranhão encontraram a sede com vários documentos e livros revirados. Nada foi levado. No prédio há computadores, notebooks e dois talões de cheque já assinados pelo padre Inaldo, coordenador da CPT no Estado.

Wilson Lima/iG
Interior da sede da CPT do Maranhão: casa foi arrombada, mas nada foi levado
O padre Clemir Batista da Silva, agente da Pastoral da Terra no Estado, classifica como “estranha” a invasão no prédio. “Nada de valor foi tocado. Não posso afirmar, mas isso pode ter sido um tipo de intimidação. Acho que o que eles queriam levar, eles não acharam”, disse o padre Clemir. “Diante do que vem acontecendo no Pará e no Maranhão, sem dúvida ficamos com medo”, complementou.

A polícia já está investigando o caso. No processo ainda não foram identificados os autores dos arrombamentos, mas existem três hipóteses que estão sendo levantadas. A primeira: o arrombamento foi um atentado contra um integrante da CPT, que não estava no local. O segundo, a pessoa responsável pelos arrombamentos teria instalado uma escuta. A  terceira, que essa ação foi apenas uma forma de criminosos assaltarem lojas localizadas ao lado da sede da CPT. A entidade, entretanto, não acredita nessa possibilidade já que na própria CPT existiam bens que não foram roubados.

Na semana passada, a CPT e integrantes de comunidades quilombolas invadiram a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em São Luís. O coordenador da CPT no Maranhão realizou uma greve de fome de três dias e as manifestações acabaram apenas com a promessa da realização de uma reunião com a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Essa reunião acontece dia 22, em São Luís.

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